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#Resenha: Laranja Mecânica

 "Não era sua a foto nos jornais esta manhã? Você é a pobre vítima daquela horrível técnica nova? Se for, então você foi enviado para cá pela Providência. Torturado na prisão, depois jogado fora para ser torturado pela polícia. Meu coração está com você, pobre, pobre rapaz."

A nossa resenha de hoje é de um dos maiores clássicos distópicos de todos os tempos, trata-se de Laranja Mecânica escrito por Anthony Burgess e publicado em 1962.


 Narrado em 1ª pessoa, o romance conta a história do adolescente Alex e sua gangue composta também por Georgie, Pete e Tosko que juntos cometem vários crimes pelas ruas de uma Londres futurista onde a desordem e o caos prevalecem. Até que o líder do grupo é preso e vira cobaia de uma técnica conhecida por Ludovico, que pretendia retirar toda a maldade das pessoas em apenas duas semanas. A terapia consistia basicamente em substâncias injetadas e exibição de diversos filmes violentos diariamente, tudo para que essas pessoas se sentissem mal ao praticarem crimes e parassem de cometê-los.

 O livro foi escrito em uma fase difícil do autor, na qual ele acreditava que morreria em decorrência de um câncer no cérebro. Com expectativa de apenas mais 1 ano de vida, Burgess pensou em escrever o máximo de livros possíveis nesse período para que a mulher pudesse viver tranquilamente com a vendagem das obras. Foram concluídos 5 romances e meio, esse inacabado era o Laranja Mecânica que mais tarde pôde ser finalizado, pois o suposto tumor não passava de um erro médico.

A leitura num primeiro momento não é das mais fáceis, pois conta com a adição de diversas gírias de um dialeto chamado de "Nadsat" misturando palavras russas e termos em inglês, mas nada que não pode ser compreendido com o passar da história. No caso da tradução de Fábio Fernandes, publicado pela editora Aleph, esses termos foram "aportuguesados", com a intenção de facilitar a leitura, sem prejudicar a sensação que o autor queria desde o começo. Se o leitor preferir pode dar uma espiada nas últimas páginas que contam com um glossário explicando o significado das palavras.


Muitos já tiveram contato com a obra graças a adaptação de Stanley Kubrick para os cinemas, em 1972, que conseguiu com sucesso reproduzir a história com algumas diferenças e doses a mais de violência que chocaram e ainda chocam muitas pessoas. Diferente da maioria das adaptações cinematográficas de livros, que costumam falhar e indignar os leitores, essa sim vale a pena ser assistida e indicada aos amigos, juntamente com a leitura do livro.


 Em 2012 com a comemoração dos 50 anos da obra, a editora Aleph lançou uma nova versão do livro com tudo que ele tinha direito, capa dura, jacket, ilustrações, informações extras e uma entrevista inédita com Anthony Burgess. Ambas as versões podem ser adquiridas online pelo Submarino ou pela Saraiva.

Álisson Boeira

Fundador da Revistak7. Gaúcho, que vive no Mundo da Lua, e que não gosta de churrasco e nem chimarrão.

|@alissonfboeira

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