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O Guia do Mochileiro das Galáxias


O físico alemão Albert Einstein disse certa vez que duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana,embora não tivesse certeza absoluta sobre o primeiro.O escritor e comediante Douglas Adams se fundamentou nessa premissa para criar sua obra mais famosa: "O Guia do Mochileiro das Galáxias".

Inicialmente concebido em parceria com o radialista Simon Brett como um programa para a rádio BBC4, a comédia de ficção científica mais tarde se tornaria uma "trilogia de cinco livros",contando a jornada de Arthur Dent, um humano que escapa da Terra momentos antes da mesma ser destruída por uma raça de alienígenas burocráticos chamados Vogons, para a construção de uma via espacial.

Entusiasta de novas tecnologias, o autor cria uma série de conceitos interessantíssimos como o gerador de improbabilidade infinita,que permite a qualquer nave atravessar imensas distâncias interestelares num piscar de olhos "sem aquela complicação e chatice de ter de passar pelo hiperespaço". Outras criações icônicas são o drinque "Dinamite Pangaláctica", cujo efeito equivale a ter o seu cérebro esmagado por uma fatia de limão colocada em volta de uma grande barra de ouro e o peixe Babel, que vive no cérebro de seu hospedeiro, se alimenta de energia mental e traduz tudo o que lhe for dito em qualquer língua.

A partir de variadas alegorias inseridas nos cinco livros ele discute temas como viagem no tempo, realidades paralelas, religião, política, filosofia e inteligência artificial,debochando do egocentrismo terráqueo que se recusa a aceitar sua insignificância frente a toda conjuntura em que está imerso.

Em meio a todo esse universo surreal e desconexo descrito nos livros o elemento mais marcante é a toalha. O autor afirma que sem esse acessório você não consegue sobreviver no universo, chegando inclusive a enumerar suas diversas utilidades. Essa grande brincadeira acabou gerando o "Dia da Toalha", conhecido no Brasil como "Dia do Orgulho Nerd", celebrado todo vinte e cinco de maio.

A obra em questão foi adaptada como um seriado pela BBC em 1981 e virou filme em 2005. Um olhar bem humorado sobre como estamos sempre buscando coisas que não precisamos e procurando problemas onde eles não existem. Ao ridicularizar nossa arrogância,ele convida a uma reflexão sobre nosso comportamento estranho, complexo e incoerente que nos torna tão interessantes.


Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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