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O amor nos tempos da Bossa Nova


A Bossa Nova é um movimento musical da MPB no final da década de 50, harmonizando o samba com o jazz e inaugurando um estilo que teria projeção internacional. Embora muitos acreditem que ele seja datado, nada poderia estar mais longe da verdade, pois suas letras e seu ritmo nos comunicam uma relação muito significativa com o que há de mais sincero em nossa humanidade e com o Rio de Janeiro. 

"A Garota de Ipanema" de Tom Jobim (A beleza que não é só minha/Que também passa sozinha) conversa com a passante do poeta francês Charles Baudelaire: "Não sabes aonde vou, eu não sei aonde vais, Tu que eu teria amado — e o sabias demais!"  

O ritmo agridoce e essencialmente carioca evoca um sopro perfumado no Calçadão de Copacabana, um passeio de mãos dadas na praia de Ipanema, ou um sorvete de casquinha no Corcovado. É a pausa na rotina sufocada, tão martelada pelo saudoso poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. 

As canções de Vinícius de Moraes, especialmente as lírico-amorosas traduzem uma universalidade emocional alcançada por muitos poucos poetas ao longo da história. Sua atemporalidade é honesta com nossos anseios mais viscerais e nunca correrá o risco de se tornar ultrapassada. 

A melancolia suspirada de João Gilberto conforta os sonhadores solitários que espreitam nas mesas de bar buscando um abraço no coração. A essência inscrita nas melodias desses músicos precisa ser renovada em nosso contexto, tão marcado por superficialidade e violência. Afinal, como diria o filósofo grego Aristóteles "A esperança é o sonho do homem acordado."

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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