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Chet Faker no Escuro

Na Austrália, país natal de Chet Faker, ele já é o “mais mais”, o queridinho, o superstar! E com seu primeiro disco Built on Glass (2014) ele abre as portas de seu mundo!! Antes, só havia lançado um Ep - o suficiente para colocá-lo na sua playlist noturna. Mas será que ele aguenta uma noite regada a vinho e sexo do início ao fim?

Nesse trabalho Faker faz tudo sozinho - produzindo, compondo e cantando em todas as faixas! Praticamente um “homem banda”. Conta apenas com mais uma estrela nesse disco:  Rhodes, o piano! Para Built on Glass começar da forma ideal para uma noite de romance sem fim, ele é a preliminar perfeita! É aquele modelito que ela escolheu para te surpreender - era um pretinho básico que se tornou o melhor vestido ( para ser tirado! ). A noite com vinho e música se inicia com “Release your Problems” que é charmosa, envolvente ( do tipo “amor, relaxa, tira essa camisa! ). É minimalista, marcante, um bom momento para o saca rolhas entrar em ação!


A partir desse som fica claro que esse rapaz de 24 anos tem um vozeirão orquestral que deixa qualquer um de queixo caído - para além da barba!

Em “Talk is Cheap” fica clara a mistura proposta: o R&B/soul, o indie, o eletrônico, o clipe bonitão ( e a mão já passa por ela nessa hora, após escorrer vinho em seus lábios e sentir sua pele arrepiada ).



Adiantando um pouco antes que quebre o clima, a minimalista “No Advice ( Airport Version )” que é quase um interlúdio meio coral de igreja americana, vem “Melt” acompanhado do Rhodes ao fundo, um belo refrão e a excitante voz de Kilo Kish ( e os beijos percorrem o corpo ). Uma pegada mais Hip Hop  retorna e agrada em “Gold” - talvez esse seja o melhor par de canções do álbum ( pegada mais quente, as paredes começam a umedecer ).

O australiano já mora em Nova York e está pronto para estourar, mas esse ainda não é o álbum redondo. De fato, é maravilhoso ver surgir um cara capaz de produzir um trabalho inteiro e ainda nos deixa excitados!!

“To Me” engraça, já é mais lentilha e progressiva, leva a cantoria aos limites - aqueles backing vocals do meio pro final da faixa são pura alma ( e a coisa pega fogo apaixonado!).

Mas aí o disco continua e se a coisa ainda não caminhou para os finalmente, talvez seja tarde, pois começa uma fase mais experimental a eletrônica, principalmente “Blush” tem uma pitada de dub, uma baita trip, em “1998” vai perdendo o embalo. Não é ruim, só tem um beat dançante demais, outro universo para manter aquela janela quente com o toque de seda que o Rhodes trouxe no início. É justamente onde ele experimenta mais, mas quando a própria experimentação já vai perdendo o fogo inicial (anunciando a hora do grand finale).


E é em "Cigarettes and Loneliness" que percebe que o clima já era! O ápice se foi e é hora do "abraçados se recuperando". E a paciência vai acabando e a ansiedade começa a tomar a frente, a vontade é saber se falta muito para acabar ( a vibe mudou, que tal dormir?). O ataque de alma, o aclamado soul moderno já está mais para batidão. As coisas vão esfriando, apesar de "Lesson in Patience" ser um pouco mais animada, com uma pitada de jazz ( e dali vai se desgrudando, com um sorriso de prazer petrificado). Para fechar, um solo de guitarra que (com ela ainda nos braços) seria bom ter ouvido antes, mas fecha com maestria!


Esse é um grande álbum para uma noite de amor, mas se trata de uma grande estreia - tem momentos inexplicáveis, só não tem equilíbrio!

As vezes parece mais uma grande exposição do que ele é capaz, um cara que se prepara para tomar conta das paradas. Vale abrir o olho para seus próximos passos: virão pedrada mais consistentes, pode apostar!!

Clique aqui e ouça o álbum "Built On Glass" completo.

Patrícia Hipólito

Comunicóloga por formação, curiosa e amante de produções audiovisuais, gosta do Spotify e vinis, adora a Netflix - mas tem uma coleção enorme de DVDs.

|@patihipolito

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