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Dr. Who e o jogo de reinventar


Dr. Who é uma série televisiva de ficção científica produzida pela BBC desde 1963. Ela acompanha as viagens de um alienígena do planeta Gallifrey através do universo e do tempo, usando a TARDIS (sigla que significa Tempo e dimensões relativas no espaço), uma nave orgânica roubada por ele em seu planeta natal que tem a aparência de uma cabine de polícia inglesa por fora, em função de um mecanismo de camuflagem bugado, mas que na verdade é gigantesca por dentro. 

A premissa básica em questão abre um vastíssimo leque de histórias que trafegam pelos mais variados gêneros. Isso porque o protagonista, que sempre se apresenta como O Doutor sem revelar mais nenhuma informação relevante,  ocasionalmente morre e se regenera , sendo substituído por um outro ator com vestuários e maneirismos completamente diferentes. Esse constante caleidoscópio narrativo permite a abordagem de inúmeros assuntos, sejam eles sérios e reflexivos ou profundamente debochados. Afinal, nada mais inteligente e confiante do que rir de si mesmo. 


Adotando uma política anti-bélica, ele consegue vencer os seus inimigos utilizando apenas o seu brilhante raciocínio estratégico, sempre contando com a ajuda dos seus eventuais companheiros de viagem, tendo em vista que ele odeia viajar sozinho e precisa de alguém para ajudá-lo a preservar seu espírito afetuoso e altruísta. Entre os seus apetrechos icônicos estão a chave sônica, uma ferramenta que decifra códigos e  abre qualquer porta, desde que não seja de madeira, além do papel psíquico, uma credencial que permite ao seu observador enxergar o documento que lhe for sugerido. 

Cada uma das raças alienígenas que frequentemente  entram em conflito com ele espelham  um diferente espectro de personalidade: os Daleks são o ódio encarnado, os Cybermen são entidades robóticas que priorizam a lógica e o raciocínio e os Sontarans são essencialmente militaristas. Vale mencionar ainda o Mestre, um alienígena da mesma raça do Doutor que funciona como contraponto do mesmo. 

Além da televisão, a série já migrou para outras mídias como quadrinhos, cinema e livros tendo colaboradores de peso como Douglas Adams e Neil Gaiman. Vale apontar também que ela tem inúmeros fãs ilustres como Matt Groening (criador dos Simpsons e Futurama), George Lucas, Stephen Hawking, Peter Jackson e muitos outros, reforçando a sua projeção e carisma com um público extremamente fiel.
 
Utilizando uma vasta gama de personagens e lugares, especialmente o planeta Terra em diferentes tempos históricos, além de se se permitir viajar bilhões de anos num piscar de olhos o seriado se mantém instigante, criativo e levantando discussões filosóficas, políticas e emocionais.  

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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