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Ambição e intrigas em Game of Thrones


Segundo o pensador Nicolau Maquiavel “A ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela”. O desejo de alcançar o poder supremo sem considerar os efeitos colaterais dessa busca é um tema universal e atemporal que remonta desde os tempos mais antigos.

Traições, intrigas e alianças para conquistar uma posição superior já aconteceram em eras mais remotas e continuarão ocorrendo no futuro, pois é algo inerente ao ser humano, que nunca está satisfeito com o que tem.

A série da HBO, sucesso de crítica e público, é uma adaptação da série de livros do escritor George R.R. Martin intitulada “As Crônicas de Gelo e Fogo”. Aparentemente serão sete livros, ele está escrevendo o sexto no momento. A saga, um épico de fantasia medieval ambientado nos continentes fictícios de Westeros e Essos, onde diferentes famílias em regiões distintas entre si disputam pelo trono de ferro na cidade de Porto Real, símbolo do poder máximo onde o senhor absoluto reina sobre todos os outros.


Enquanto isso, ao norte de Westeros existe uma muralha que foi construída para impedir que os selvagens e criaturas chamadas Andarilhos Brancos atravessem e ataquem o mundo “civilizado”. As ameaças cessaram por tanto tempo que o lugar tornou-se semi-abandonado e desacreditado. É então que começam a surgir sinais de que o perigo está gradativamente aumentando novamente.

A enorme quantidade de detalhes reforça a complexidade da história. Cada dinastia tem seus próprios princípios e motivações para cobiçar o título de rei ou rainha, excluindo qualquer tipo de maniqueísmo ou previsibilidade. Tudo pode acontecer e ninguém está salvo. Qualquer personagem está passível de falecer na próxima cena, acrescentando uma interessante dose de suspense. Nos livros, cada capítulo é escrito sobre o ponto de vista de um dos personagens, o que é inovador e muito interessante.

Vale acrescentar que o clima e o relevo atuam como personagens de extrema relevância dentro da trama, influenciando decisões e criando obstáculos. Os invernos não são anuais e quando chegam nunca é um bom sinal.


Os conflitos ideológicos entre as “casas” são fascinantes e refletem os diferentes modos de percepção da realidade. Os Stark tem um modo de vida mais bucólico e simples, com um forte senso de honra. Excelentes guerreiros que muitas vezes sofrem por tomar a decisão certa na hora errada.

Os Lannisters, por sua vez, são extremamente materialistas, arrogantes e acostumados a mentir e manipular para conseguirem o que querem. Seu histórico é de gerações abastadas que sempre foram muito refinadas, mas no momento estão em decadência e precisam fazer acordos para sobreviver.

Por fim temos os Targaryen, antigos governantes do trono de ferro que foram expulsos por Robert Baratheon e só restaram dois representantes, filhos do rei exilado que residem em Essos, do outro lado do mar estreito e que tiveram que se aliar aos Dothraki, uma tribo de bárbaros nômades, para formar um exército e tentar retomar o trono. 

A série atualmente caminha para a sua sexta temporada, que estreia hoje (24). Poucas vezes o universo de fantasia foi tão intenso, humano e instável.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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