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A misantropia e genialidade de House


O Dândi, segundo o poeta Charles Baudelaire seria alguém que busca a superioridade aristocrática do seu espírito. Imune ao teatro humano, ele se isola em si mesmo buscando aperfeiçoar sua essência e percepção emocional do universo que o rodeia.

Essa reclusão interior reforça a dificuldade de adaptação social já existente, gerando sérios atritos com pessoas que inadvertidamente o forcem a abrir algum tipo de concessão comportamental.

Criada por David Shore, a série acompanha o Doutor Gregory House, chefe do Departamento de Diagnósticos do Hospital Princeton-Plainsboro. Juntamente com sua equipe ele consegue decifrar algumas doenças com estranhos sintomas para encaminhar o tratamento apropriado e desta forma salvar os pacientes.  

Partindo do princípio de que todo mundo mente ele manda seus funcionários invadirem a casa dos enfermos enquanto eles estão internados para descobrir mais a respeito dos mesmos e assim descobrir o que aconteceu com eles.

Esse desrespeito pelas regras de conduta dentro e fora da instituição acaba por gerar inúmeros conflitos entre House e a diretora Lisa Cuddy, que ocasionalmente o força a fazer plantões de clínica, seu maior desconforto onde ele é forçado a interagir com o grande público. Além disso, nesse ambiente os casos são facilmente identificáveis, geralmente fruto de ignorância comum, coisa que o aborrece e entedia profundamente.


Apesar de seu brilhantismo em desvendar os casos, o protagonista tem um sério problema de convivência com seus colegas de trabalho, pois sua mente opera em uma esfera completamente diferente. Ele se delicia ao apontar as fraquezas e erros dos seus funcionários e até mesmo do seu único amigo Wilson, o chefe do Departamento de Oncologia. Ao expor os enganos dos outros ele se sente no controle da situação, o que lhe proporciona uma estranha sensação de conforto. 

Extremamente racional, tem problemas para lidar com situações não explicadas pela lógica, mas quase sempre acaba respeitando as decisões de seus pacientes, no que se refere ao tratamento decisivo da doença.

Depois que perdeu um pedaço da coxa devido a um coágulo, House começou a tomar Vicodin para aliviar a sua dor, o que acaba por se transformar num vício gerando sérios problemas psicológicos. A dor o incomoda tanto que ele termina desregulando sua dosagem, o que termina derivando uma série de efeitos colaterais que afetam seriamente o seu discernimento.

Apesar de ambientada em um hospital a série aproveita os pacientes para discutir vários assuntos, como política, religião, ciência, homofobia, racismo e comportamento em geral, ampliando assim o tema inicialmente proposto e gerando discussões que podem ser prolongadas após o término dos episódios.

House vive em um constante estado de conflito com a sociedade e consigo mesmo. Ele reconhece que sua inteligência está acima da média e tem um enorme prazer em decifrar enigmas. Não sabe exatamente o que procura, mas sabe que é algo além da mediocridade que contamina grande parte da população. Seu andar manco é o de um sobrevivente cansado de ser exército de um homem só, vivendo na esperança de encontrar em algum canto sua própria paz de espírito.

A série completa está disponível na Netflix.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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