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O peso da liderança em Vikings


O jornalista Walter Lippmann afirmou certa vez que "A genialidade de um bom líder é deixar para trás uma situação com a qual o senso comum consegue lidar de forma bem sucedida." Ele consegue o respeito e admiração de seus seguidores porque estes percebem que estão sendo direcionados para algo grandioso e diferente.

A ideia de engrandecimento não só material como também espiritual é um poderoso motivador para aqueles que buscam enriquecer e ganhar as graças dos deuses que idolatram durante este processo.

A série criada por Michael Hirst para o canal History Channel é baseada na trajetória do lendário rei nórdico Ragnar Lothbrock, pioneiro em navegações para o oeste, quando todos pensavam que não havia nada além de oceano e eventualmente o fim do mundo.



O protagonista é mostrado a princípio como um simples fazendeiro, vivendo na Escandinávia com sua mulher Lagertha e os dois filhos. Com a ajuda do amigo visionário Floki eles constroem uma nova geração de barcos mais rápidos e elegantes. Além disso, seu grande sonho é navegar para o ocidente e descobrir novas terras, embora o líder de seu grupo tenha proibido tal façanha.

Eventualmente ele chega na Inglaterra e a primeira visão do seu bando é um mosteiro que é imediatamente saqueado. Ragnar percebe que um dos frades fala a sua língua e o transforma em seu “escravo” pessoal. A partir desse momento cria-se um interessante diálogo entre duas culturas diametralmente opostas, enriquecendo assim consideravelmente a narrativa.

Vale mencionar a desmistificação de uma civilização que geralmente é retratada como grosseira e semi-animalesca.Os Vikings são aqui mostrados como hedonistas que tinham um profundo respeito por seus deuses e faziam de tudo para agradá-los, especialmente morrer em batalha, considerada a glória máxima para alcançar o Valhalla, a versão deles do Paraíso.



Esse contraste entre as duas formas de misticismo, a católica e a nórdica, cria um interessante debate entre o guerreiro e o sacerdote, já que ambos são homens de profunda fé que desejam demonstrar a superioridade do dogma ao qual devotaram toda a sua existência.

Interessante comentar também o curioso relacionamento de Ragnar com o seu irmão Rollo, que oscila entre a lealdade fraterna e uma profunda inveja que faz com que ele o traia sempre que surge uma oportunidade.

O seriado é eficiente ao revelar de maneira bastante sutil a superioridade do protagonista sobre os seus companheiros. Além de engenhoso, carismático e um ótimo espadachim ele sempre busca ser humilde e justo, demonstrando ser um verdadeiro líder e servindo de contraponto para o chefe da comunidade que não atende a algumas dessas características.

A colisão de dois mundos tão estranhos e ao mesmo tempo tão similares entre si traduzem nossas verdades mais íntimas. O sangue ganha uma conotação quase santa, como se sacralizasse o campo de batalha, abençoando a entrega dos oponentes a um poder maior que os redime e purifica.

Atualmente as três primeiras temporadas estão disponíveis na Netflix.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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