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Buena Vista Social Club: O canto do cisne de uma geração


A música latina regional tem fortes raízes hispânico-africanas, uma interessante combinação da melancolia moura com os acordes que celebram a integração do homem com suas tradições mais remotas, construindo desta forma sua identidade. O documentário a seguir busca resgatar este painel através da trajetória de um conjunto musical.

O título da película é o nome da banda, que por sua vez remete a uma antiga casa de shows cubana, que havia deixado de existir por volta dos anos 50. A narrativa do filme acompanha o guitarrista e produtor musical Ry Cooder que depois de ouvir uma fita com belíssimas músicas cubanas decide ir à Havana em 1996 para procurar artistas para a gravação de um disco. Lá ele felizmente encontra ainda vivos os grandes ídolos locais que marcaram gerações como Ibrahim Ferrer, Compay Segundo, Omara Portuondo, Eliades Ochoa Faustino Oramas e Rubén Gonzáles.


A projeção acompanha desde o retorno de Cooder com seu filho Joachim à cidade em 1998 para mostrar as diferentes jornadas de todos os integrantes do conjunto, como foram tocados pela música desde cedo e como desenvolveram uma relação de carinho com o instrumento que tocam.

Cada um tem sua participação essencial e contribui adicionando toda sua experiência dentro da harmonia da orquestra. Destaque para o “alaúde cubano” de Barbarito Torres, que sintetiza a combinação de diferentes culturas para criar um órgão musical único cujo som é inconfundível. 

É interessante notar ao longo da película o painel da essência poética cubana que vai sendo formada ao longo dos depoimentos, das canções e dos costumes apresentados.A montagem intercala os diferentes perfis dos artistas com trechos de apresentações da banda em Amsterdã e no Carnegie Hall, nos Estados Unidos.

As cenas que ilustram os prédios e carros velhos transmitem o caráter de um povo que se mantém fiel aos seus princípios e consegue transcender o espírito através de músicas que foram ultrapassando gerações. Um lugar que sobrevive ao pensamento cartesiano e calculista da pós-modernidade.


É importante mencionar que apesar de todos os esforços, trata-se de uma geração de músicos que está em seu estágio final. Muitos faleceram anos depois do documentário, como Ibrahim Ferrer e Compay Segundo.

O filme também apresenta sequências que mostram a educação atlética dos jovens desde cedo de forma bastante livre e descompromissada para que os mesmos desenvolvam prazer pela prática do esporte. 

O grande tema da projeção é o resgate do cancioneiro regional que traduzia toda a leveza de um tempo romântico de outrora e cujo espírito foi se dissipando com o tempo, mas sempre esteve latente no imaginário popular.A trilha sonora é belíssima, com menção especial para as músicas Chan Chan e Dos Gardenias que traduzem a beleza da música do grupo.

O cineasta Win Wenders construiu um belíssimo filme sobre “o canto do cisne” de uma geração cuja conquista merece o devido respeito e prestígio. O filme encontra-se disponível na Netflix

 Curta o som da banda:

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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