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A relatividade do tempo em O curioso caso de Benjamin Button


O filósofo grego Platão disse certa vez que "o tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel.” A memória conserva os momentos edificantes que dão sentido a toda a nossa jornada existencial, formando assim um painel que contribuirá para definir a nossa identidade.

Uma analogia que poderia explicar o processo de vida e morte seria essa: começamos na estação, onde não sabemos o que nos espera e tudo o que resta é esperança e ansiedade. O trem pára e nós subimos. Encontramos uma série de pessoas, nos relacionamos com elas, percorremos várias distâncias e tudo isso num tempo tão acelerado quem nem percebemos a viagem fantástica que estamos fazendo.

Ocasionalmente nos sentamos e observamos a paisagem pela janela, mas são poucos os que fazem isso. Você então percebe que o seu ponto de descida está chegando. Alguns só percebem quando o trem já parou. Outros começam a notar antes.

Baseado no conto de conto de F. Scott Fitzgerald, a película acompanha a trajetória de um homem que sofre de uma anomalia genética, onde o seu organismo nasce envelhecido e rejuvenesce com o passar dos anos.


Após sua mãe morrer no parto, ele é abandonado pelo pai (enojado com a aparência enrugada de seu filho) nas escadas de um asilo, sendo acolhido pela amável Queenie,empregada do estabelecimento.

Sua condição biológica permite que ele se adapte perfeitamente ao local onde é criado,absorvendo uma enorme gama de experiência através do contato com várias trajetórias existenciais.

É lá também que ele encontra o grande amor de sua vida, a jovem Daisy que visitava regularmente o estabelecimento para ficar com sua avó. O amadurecimento desta relação amorosa, condenada desde o início em função do insólito desenvolvimento físico do protagonista ilustra como este sentimento se perpetua através de inúmeras formas, tornando-se cada vez mais forte e significativo.

Ambientada em New Orleans, a história tem início em 1918 e prossegue até 2007, quando o furacão Katrina surge para varrer todos os vestígios dos fatos que marcaram de maneira tão intensa a vida do casal.
A montagem do cineasta David Fincher trabalha de forma eficiente as diferentes perspectivas sobre o processo de envelhecimento e maturação do pensamento. Destaque para a sequência que mostra a cadeia de pequenas circunstâncias que criam um evento que terá um impacto definitivo no destino de um dos personagens.


O elenco conta com as brilhantes performances de Cate Blanchett, Julia Ormond, Tilda Swinton e Brad Pitt que aproveita o excelente trabalho de maquiagem para interpretar um homem destinado a aproveitar todas as oportunidades que a vida pode oferecer, pois desde cedo já estava consciente de sua mortalidade.

Segundo o filósofo alemão Heidegger, ¨a unicidade da morte corresponde à extraordinariedade do ser. ¨ significando que a aceitação de nossa fatalidade serve como impulso para que apreciemos com mais acuidade o mosaico de situações que marcam nosso percurso ao longo da vida.

Uma poética história sobre a importância de perceber o sentido épico da essência vital, valorizando as pequenas oportunidades que a tornam tão especial.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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