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Os estranhos conhecidos em Edifício Master



É curioso pensar na imensa quantidade de “estranhos conhecidos” que compartilham apartamentos num mesmo prédio. Diferentes trajetórias de vida, escolhas frustrações, aspirações, conflitos e perspectivas a respeito de vida, morte, amor, amizade e família.

As pessoas se esbarram no elevador, se cumprimentam e seguem vivendo muitas vezes trocando poucas palavras entre si, com suas existências tão próximas e, no entanto tão distantes.

Uma intensa miscelânea de etnias, origens e lições de vida dividindo a mesma habitação. Foi pensando nesse conceito que o cineasta Eduardo Coutinho decidiu alugar um apartamento no prédio do título em Copacabana e acompanhou o cotidiano de trinta e sete famílias vivendo em uma estrutura de doze andares com vinte e três apartamentos por andar.

Ao longo da projeção somos apresentados aos variados e simpáticos moradores, cada qual com uma história de vida fascinante à sua maneira.A escolha do prédio foi interessante, pois permitiu exibir grande parte do passado histórico do Rio de Janeiro, sejam nos casos dos inquilinos, muitos deles idosos, na peculiar arquitetura ou nos móveis dos inquilinos.
 

O painel exibido pode ser analisado enquanto análise da sociedade pós-contemporânea, a fusão de diferentes origens e experiências gerando depoimentos que denotam uma realidade de pessoas sorrindo apesar de todo o tipo de dificuldades, imersas na mais profunda solidão, neurose e desconfiança.
Vale mencionar como o diretor ilustrou através das inúmeras declarações como o amor é imprevisível, trágico e redentor.

Esse gigantesco apanhado nos permite observar as diferentes escolhas que são tomadas em situações limite e como elas afetam seu futuro, tomando como exemplo o caso da mulher que não se matou porque tinha contas em aberto.

Um olhar sobre as diversificadas maneiras pela qual o destino acaba apontando nossas metas e caminhos, mostrando os valores de ontem e de hoje, como o porteiro órfão que encontrou um bebê abandonado e viu refletida naquela cena a sua trajetória.
 

Uma película direcionada para todos aqueles que observam as pessoas andando nas ruas ou sentadas no banco do ônibus e imaginam o que elas estariam pensando como lidam com as dificuldades do cotidiano enquanto enfrentam seus próprios conflitos psicológicos e emocionais.

Vivemos em uma realidade onde o narcisismo é uma constante crescente e abandonamos todos os ideais de convivência e solidariedade. O documentário mostra indivíduos vivendo bens próximos uns dos outros que desejam se isolar entre si, ignorando a idéia de que vivem em comunidade e que deveriam pensar em uma forma de respeito mútuo, tomando como base a situação da criança pequena que termina ouvindo constantemente as brigas dos vizinhos por causa de um estreito vão entre os apartamentos formando um canal sonoro que expõe o privado ao público.

Um interessante panorama do variado e conflituoso circo de experiências humanas. O microcosmo que é projetado a nível existencial espelhando nossa própria essência.

Aproveite:
 

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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