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A sedução do oceano em Imensidão Azul

O oceano é alvo de minha mais profunda admiração, sendo um espaço cuja vastidão remete à ideia de um “infinito palpável”, onde é possível se deixar absorver, seduzido por seus encantos. Esta é a temática da seguinte película.

O filme acompanha a trajetória de dois mergulhadores, que cresceram compartilhando uma profunda ligação com o mar desde crianças na Grécia.Um deles é Enzo Molinari: mulherengo, vaidoso, pragmático na hora de mergulhar e um profundo admirador de seu país natal _ a Itália, o que é facilmente percebido nas cores de seu uniforme e o laço forte com seus familiares, especialmente sua “mama”.


O outro nadador é Jacques Mayol. Filho de um francês com uma americana, ele cresceu em comunhão com o mar e a cena de seu primeiro encontro com um golfinho, cercada de fascínio e espanto, é antológica. Este mantém uma relação bem mais profunda com o oceano, chegando a desenvolver uma técnica onde reduz seus batimentos cardíacos, concentrando todo o sangue no cérebro, algo próprio dos cetáceos.

Separados por um acidente que levou a vida do pai de Mayol (que era pescador), se reencontram depois de vinte anos, porque Enzo, agora já declarado campeão mundial mais de dezessete vezes, sabe que não estará convencido de seu título enquanto não derrotar o francês.


É fascinante notar a relação de respeito, amor e pertencimento que Jacques tem pelo mar. Sua essência está presa de tal forma que se torna algo além de seu controle e sua compreensão. Destaco aqui a excelente atuação de Jean Marc Barr, realçando seu desprendimento em relação a tudo que está “em terra firme”, inclusive sua amante Johana, uma agente de seguros americana.

Vale comentar o contraponto interessante entre a Sicília e Nova York: enquanto esta é retratada como um país nublado pela poluição, repleto de criminosos e pessoas grosseiras, aquela é sempre banhada pela luz solar, onde todos andam tranquilamente e são mais amistosos.

“Imensidão Azul” mostra um embate entre a paixão e a técnica: o italiano sempre interessado em títulos enquanto o outro está completamente absorto em relação a isso. Jean Reno também merece aplausos por interpretar um Enzo que, apesar de estar sempre buscando reiterar sua superioridade, mostra ser um adversário que tem um carinho ímpar por seu oponente.


É bacana perceber como os golfinhos parecem saber e celebram todos os momentos de glória de Jacques, reafirmando o estreito relacionamento entre eles.

O oceano sempre surge como visto como algo misterioso, fascinante e imprevisível, sendo comparado a uma mulher pelo tio de Jacques e sempre referido pelo mergulhador italiano como uma presença feminina.

Uma projeção que, contando com uma trilha sonora e fotografia espetaculares, traz uma mensagem sobre transcender além das coisas mundanas, achando um lugar para se encontrar e repousar a alma.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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