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O charme da trapaça em Golpe de Mestre


O diretor George Roy Hill filmou dois clássicos com a dupla formada por Paul Newman e Robert Redford : “Butch Cassidy” e a película em questão.

Ambientada em Chicago na década de 30, a trama acompanha a trajetória de Johnny Hooker, que ao lado de seu parceiro e mentor Luther Coleman vive de pequenos golpes. Em certa ocasião acabam ganhando muito dinheiro, sem saber que tinham acabado de “limpar” um mensageiro de Doyle Lonnegan, um gângster perigoso que não hesita em mandar matar os responsáveis pela trapaça. Hooker consegue escapar, mas seu amigo não tem a mesma sorte.

Decidido a vingar seu parceiro ele vai atrás de Henry Gondorff, um antigo companheiro de Luther que se encontra sumido, pois o FBI está atrás dele. Juntos eles organizam um time com a nata dos vigaristas da cidade para organizar um grande golpe, lesando Doyle pelo que este fez àquele que era muito querido na comunidade dos trapaceiros.


“Golpe de Mestre” é genial em todos os sentidos. A reconstituição de época está impecável e o roteiro é perfeito, além da trilha sonora que é um show à parte. A música tema todo mundo provavelmente já ouviu em algum lugar e traduz a essência da projeção de forma única.

A montagem merece destaque também, já que a estória é dividida em atos, permitindo ao espectador observar uma verdadeira radiografia do golpe: a armação do cenário, a isca para atrair o “pato” até finalmente chegar à grande virada no final, onde até os mais experientes acabam sendo enganados por excesso de confiança.

Toda a artimanha da trapaça acaba se revelando um intenso trabalho envolvendo atuação, estratégia e paciência. O jogo psicológico com a vítima do golpe também se revela uma experiência fascinante, pois percebemos que ele termina iludido pela própria prepotência e ganância. O filme desenvolve essa estrutura até o final, surpreendendo a cada minuto, o que torna sempre instigante a experiência de assisti-lo. Como num jogo de xadrez, cada movimento precisa ser friamente calculado e o menor vacilo pode levar ao fracasso.
 

O filme ainda demonstra eficiência montando com cuidado o histórico de cada um dos protagonistas, a começar por Hooker, que mesmo usando um terno caro não se preocupa com o cabelo despenteado, revelando um traço de sua irreverência e impulsividade. Seu parceiro Gondorff é um golpista mais experiente e apesar de seu desleixo em casa sempre cuida da aparência,o que o torna um personagem mais distinto, que sempre foi muito cauteloso mas foi traído por uma garota, justificando uma determinada atitude ao longo da projeção.

Como se não bastasse, o elenco faz jus a todo o resto e só incrementa este clássico: além dos dois previamente mencionados, o filme ainda traz Robert Shaw  como o implacável Doyle Lonnegan e Charles Durning como o tenente Snyder, que está  no encalço de Hooker e levanta dúvidas sobre o seu destino.

Além de todos os motivos acima mencionados, destaco ainda o espetacular e inesperado desfecho que só faz aumentar a admiração por esta grande película.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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