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Coincidência vs Destino em Magnólia



O filme acompanha um único dia da vida de vários personagens, cujas histórias se interligam a todo instante. O roteiro se preocupa em, rapidamente, apresentar cada um deles, até como forma de o espectador se situar na trama.

Assim, temos Earl Partridge, um sexagenário produtor de televisão, que está em seu leito de morte, aguardando o câncer encerrar o trabalho que já iniciou. Ele é casado com Linda, uma mulher muitos anos mais jovem, que aceitou o casamento unicamente pelo dinheiro, mas que, naquelas horas finais, descobre que o ama. Earl tem ao seu lado o enfermeiro Phil Parma, uma boa pessoa, que sensibiliza com os problemas de seu paciente, e luta para colocá-lo ao lado de seu filho, Frank Mackey (um guru machista que ensina homens a tratar mulheres como objeto), antes do evento trágico.


Paralelamente, Jimmy é um âncora do programa O que as crianças sabem?, produzido por Earl, e que é exibido há mais de 30 anos. Ele também está combalido pelo câncer, e com pouco tempo de vida. Do ponto de vista pessoal, Jimmy tem problemas de relacionamento com sua filha Cláudia, rebelde, viciada em cocaína e que se entrega ao sexo por droga. Ela encontra no policial de rua, Jim Kurring, uma chance de estruturar novamente sua vida.

Do ponto de vista profissional, Jimmy, pressionado pelo câncer e pela ausência de diálogo com a filha, começa a ter dificuldades de comandar o espetáculo televisivo, respondendo de antemão as perguntas que ele mesmo elaborou para seus candidatos. Um deles é o garoto Stanley  Spector, um gênio de conhecimentos gerais, que está prestes a bater o recorde do programa e, por isso, receber um boa quantia em dinheiro como prêmio, sobre o qual seu pai não vê a hora de colocar as mãos.

Enquanto isso, Donnie Smith, famoso por ter sido, no passado, o detentor do citado recorde, atualmente é um quarentão fracassado, lutando para manter-se no emprego de favor, e tentando conquistar um jovem barman.


Dirigido por Paul Thomas Anderson, a película apresenta um mosaico de tragédias pessoais que caminham para uma situação limite, onde tudo desaba como um castelo de cartas. Fala de nossas batalhas internas diárias, em busca de uma realização pessoal que nunca se satisfaz. Uma eterna luta solitária contra nossas fraquezas e a procura por um caminho a seguir.

O filme levanta ainda uma interessante discussão sobre coincidência e destino. Serão nossos atos fruto de uma cadeia de eventos já previamente delineada? Ou seremos nós os detentores de nossa própria sorte?

Em “Magnólia” várias escolhas feitas no passado são questionadas por alguns personagens, na medida em que os mesmos alcançam um estado crítico.Nesse ponto destaco o monólogo final de Earl Partridge sobre os diferentes caminhos que tomamos em nossa vida, onde são intercaladas cenas com os vários protagonistas do filme.

A trilha sonora é belíssima e a sequência onde todos cantam “Wise up”, de Amiee Mann é um dos pontos altos da projeção.

O desfecho surreal vem para mostrar que o destino é inexplicável e aberto às nossas próprias interpretações.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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