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Política e Religião em A Rainha Margot


O poder exerce uma curiosa influência no psicológico de quem o detém, dando vazão a  levianas atitudes que podem colocar várias vidas em risco. Uma ordem pensada num momento de fraqueza pode levar à queda de um Estado ou causar um genocídio de proporções épicas. Ao longo da história tivemos vários exemplos desta afirmação, desde a época dos faraós e imperadores romanos aos dias de hoje.

A seguinte projeção tem sua narrativa baseada no romance homônimo de Alexandre Dumas que por sua vez usou de fatos reais para arquitetar sua obra. Ambientada em 1572, durante o período de conflito entre protestantes e católicos na França, ela tem início com o casamento entre Margerithe de Valois e Henrique de Bourbon (Rei de Navarra) com o objetivo de consolidar a paz e estabelecer uma aliança entre as duas facções divergentes.

A medida tomada não surte o efeito desejado pois o clima de desconfiança continua aumentando da mesma forma, chegando ao seu limite com a tentativa de assassinato do Almirante Coligny (líder dos protestantes e amigo do rei Carlos IX).


Temendo uma represália, o governo católico condena à morte todos aqueles que pertencem à outra religião, resultando em um dos maiores genocídios da história conhecido como “A noite de São Bartolomeu”,onde morreram aproximadamente seis mil pessoas.

 O rei de Navarra, temendo por sua própria vida, já que foi um dos poucos sobreviventes do massacre, é forçado a se converter e torna-se um refém da situação, sem condições de retornar a seu governo enquanto escapa das tentativas de assassinato engendradas pela rainha Catharina, que manipula o filho Carlos IX enquanto prepara a ascensão de Anjour, o seu predileto.

O cineasta Patrice Chéreau apresenta de forma eficiente a complexa rede de intrigas familiares e conflitante contexto histórico que a sustenta assemelhando-se em vários aspectos às tragédias shakespearianas, onde todos são escravos do destino.


Interessante notar o amadurecimento da protagonista ao longo da película: sendo inicialmente retratada como apenas um objeto de barganha de sua mãe ela aos poucos vai percebendo todo o esquema sórdido articulado por sua família para consolidar o poder.

O elenco confere perfeição a esta obra, com destaque para Isabelle Adjani que transpira toda a força e independência de uma Margot que luta para conquistar sua autonomia. O sempre ótimo Daniel Auteuil merece a devida menção ao retratar um rei completamente indefeso que passa a temer por seu próprio destino ao perceber que está lidando com pessoas emocionalmente instáveis que não respeitam nem os próprios laços familiares para consolidarem seu poder.

Contando com fotografia e trilha sonora belíssima (especialmente a música que toca durante os créditos finais), esta película narra de forma belíssima a triste arquitetura política gerada pela sede de conquista que vai sepultando inocentes sem mesurar o quanto isso é nocivo para a própria sociedade que estará sob a sua administração.

Um painel que infelizmente não se renova e infelizmente reflete a situação de alguns governos ao redor do globo, onde o interesse de um se sobrepõe aos demais.

Álisson Boeira

Fundador da Revistak7. Gaúcho que não gosta de churrasco e nem chimarrão. Apaixonado por todos os tipos de arte, principalmente as que causam arrepios na alma.

|@alissonfboeira

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