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A releitura de um clássico na animação Beowulf


A mitologia nórdica é riquíssima, tendo inspirado inúmeras músicas e poemas que tratam de heróis consumidos pelo próprio orgulho, onde o sobrenatural atua como metáfora de nossas virtudes e fraquezas, transfiguradas para refletirem a real natureza de nossas atitudes.

O poema épico que serviu como fonte de inspiração para a seguinte projeção é mais antigo escrito em língua moderna e um dos mais célebres do gênero, marco na literatura medieval.

A narrativa da película acompanha o aventureiro que leva o nome do título indo ao reino da Dinamarca, atendendo ao pedido do rei Hrothgar para matar o monstro Grendel, uma criatura constantemente irritada pela música e cantoria no local em função de sua extrema sensibilidade auditiva.
 
 
O herói consegue aniquilar o troll e tranqüilizar a população por um momento, mas a mãe da besta surge pedindo vingança e cabe a ele exterminá-la, sem saber que seu orgulho será sua maior fraqueza durante este confronto.

O uso da técnica de animação permite uma melhor ilustração da história que envolve elementos míticos para reforçar o potencial simbólico de seu cerne.

A atenção aos detalhes enaltece a beleza das imagens e contribui para fazer justiça à grandiosidade do texto original.

O uso de captura de movimentos reforça a importância da interpretação dos atores envolvidos no projeto, por isso destaco as excelentes performances de Anthony Hopkins, Robin Wright Penn, Crispin Glover e Ray Winstone que ilustra com maestria a imponência do herói principal, personagem da literatura universal clássica.

A montagem do cineasta Robert Zemeckis é eficiente ao retratar a força da lenda criada em torno do protagonista, conferindo-lhe uma característica sobre-humana.
 

Interessante comentar também a inserção do confronto entre a religião dinamarquesa e o catolicismo para comentar o impacto da cultura ocidental no referido contexto, além de mostrar a disparidade dos universos projetados pelas citadas crenças.

O roteiro de Roger Avary em parceria com o renomado cartunista Neil Gaiman mantém-se fiel à obra original em vários aspectos e as pequenas modificações no enredo enaltecem o caráter dos personagens, confirmando seus respectivos destinos.

A película retrata a soberba como principal responsável pela derrocada do espírito humano, um traço bastante característico de nosso comportamento. O excesso de confiança age de forma nociva inibindo nossas defesas e tornando-nos vulneráveis a possíveis inimigos.

A ganância e a glória definem o perfil deste guerreiro cuja força vital ultrapassa o tempo e o espaço onde se encontra. Sua bravura vira lenda para depois tornar-se mito. Seus valores sublimam a conjuntura de seus atos.

A adaptação desta obra eleva o potencial de sua essência, transcendendo o tempo histórico em que a mesma se insere.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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