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Víctor Grippo e a arte conceitual

  “A arte é coisa mental, mas comer também deveria sê-lo”. Victor Grippo.
 Considerado um dos principais precursores da arte conceitual na América Latina, Víctor Grippo participa pela 4ª vez da Bienal de São Paulo. Seu trabalho combina materiais orgânicos e minerais com artefatos de uso diário para exaltar aspectos ocultos dos objetos, obtendo formas naturais de energia.

Em Analogía (1970-77), o artista explora os opostos arte-ciência, natureza-cultura, real-artificial, por meio de um circuito de batatas colocadas em espaços individuais, em um tabuleiro de madeira, conectadas por uma operação eletroquímica. É uma demonstração empírica da capacidade energética dos tubérculos. Em sete anos, Grippo criou mais seis materializações da obra, com ligeiras variações, questionando o mito de originalidade e unicidade da obra de arte.


 Na 32ª Bienal de São Paulo, Grippo apresenta o trabalho “Naturalizar al hombre, humanizar a la naturaleza, o Energía Vital”, composto por batatas e frascos de laboratório com líquidos que representam as propriedades e os estágios de transformação física da matéria. Com a putrefação, a batata libera energia, sendo esse processo associado à energia produzida pela consciência humana e sua transformação [coletiva] ao longo do tempo.

 Em consonância com o tema da Bienal (Incerteza Viva), a incerteza é um convite à profanação: ela contém, mais do que desordem ou dúvida, possibilidades de perfuração de uma realidade. O trabalho de Grippo aqui selecionado foi desenvolvido na Argentina da conturbada década de 1970, marcada por severa repressão social e política. Afirmando que “a arte é coisa mental”, Grippo apresenta a urgência de criar pensamentos novos diante de um contexto sufocante. Situações limite vivenciadas na política, na economia, no meio ambiente e nas demais áreas demandam saídas criativas. O artista percebe, na putrefação da batata, fonte de energia. Ao dar visibilidade a esse processo, destaca o singular potencial transformador oculto na crise.










Julia Messina

Escritora, estudante de Artes Visuais, mestre em Ciências Sociais. Carioca se aventurando em escaladas e ateliês de arte.

|@messina.ju

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