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A sensação de ameaça constante em The Walking Dead


Os zumbis surgiram no cinema como uma interessante metáfora social. A grande massa que obedece sem questionar e apenas segue em frente, sem valores, paixões ou aspirações de qualquer natureza. O morto vivo contemporâneo reflete inseguranças atuais, como da perda da individualidade e os excessos do capitalismo de consumo.

A ideia de um futuro pós apocalíptico na TV ou no cinema sempre levanta discussões interessantes sobre o futuro da humanidade que é forçada abruptamente a reavaliar seus fundamentos. Decisões urgentes vão gradativamente surgindo e elas irão afetar não somente o seu futuro de forma direta, mas indiretamente de todos ao seu redor.

A adaptação homônima dos quadrinhos de Robert Kirkman para o canal AMC, disponível na Netflix, além de exibida no Brasil pela FOX e pela Rede Bandeirantes, acompanha um grupo de sobreviventes em meio a um apocalipse zumbi, liderados pelo xerife Rick Grimes.



Depois de acordar de um coma em um hospital, ele inicialmente busca tentar entender o que está acontecendo, pois o desastre ocorreu enquanto ele estava inconsciente. Sem pistas de sua mulher e filho ele sai vagando em meio a ruas desertas e fugindo dos “caminhantes”, nome que os sobreviventes deram aos mortos-vivos. Esses também são apelidados ao longo das temporadas de mordedores e vagantes, dentre outros.

 O grande diferencial da série em questão é que a trama se concentra nas relações interpessoais daqueles que continuam vivos e como essa nova conjuntura os afeta. Como proceder quando todas as regras sociais de anteriormente são praticamente abolidas?  O que dita o certo e errado? O que pode ser projetado numa perspectiva futura? O homem como escravo de sua própria circunstância.

A dinâmica do grupo é sempre interessante, pois permite um interessante trabalho de personagens e tal contexto os coloca numa situação limite onde suas verdadeiras identidades terminarão por vir à tona.

 As crianças acabam sendo aquelas que sofrem as transformações mais bruscas, amadurecendo precocemente e presenciando atos de extrema frieza em prol da sobrevivência. Os vivos acabam por se tornar mais perigosos que os defuntos ambulantes, pois muitos terminam por criar suas próprias regras de sobrevivência. Como decidir quem é confiável para acompanhar o grupo? Como lidar com essas escolhas?
 

Vale ressaltar que em primeira instância trata-se de sobrevivência, mas depois é inevitável pensar numa perspectiva mais ampla, já que viver para sempre sob constante ameaça dia e noite não é uma opção agradável, tanto que muitos terminam surtando com essa possibilidade.

A constante dinâmica do seriado revela que ninguém está salvo de se transformar em zumbi. A cada instante uma simples mordida pode mudar tudo, forçando alguém a matar um ente querido para poupá-lo do destino terrível que o aguarda se isso não for feito.

Estamos sempre projetando para o futuro ou remoendo o passado, enquanto esquecemos-nos de pensar o presente. É uma verdade que constatamos, mas não consideramos alterar. Esta série mostra que na verdade o presente é quem dita as regras e se não prestarmos atenção nele, talvez não haja uma base sólida para consolidar planos futuros.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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