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O bem e o mal em Supernatural


Segundo o escritor Adriano Húngaro: “Teus anjos e demônios são aquilo que você alimenta e quer que sejam. Sobrevivem e morrem do bem ou do mal que brota dentro de ti.” O budismo afirma que somos a causa de nosso próprio sofrimento. A forma que lidamos com nossas incertezas e dúvidas certamente irá inferir em nossa coexistência na sociedade.

A distinção entre bem e mal reflete a estranha complexidade que define a natureza humana. Somos muitas vezes paradoxais, cometendo erros para chegar aos acertos porque muitas vezes as escolhas apontam para este caminho. O instinto indica o sentido e só depois refletimos sobre as repercussões da decisão que tomamos.

A série criada por Eric Kripke, exibida pelo canal Warner e que atualmente está em sua décima segunda temporada acompanha a história dos irmãos Winchester, desde cedo treinados pelo pai John para caçar criaturas sobrenaturais depois que a mãe deles é assassinada por um estranho demônio de olhos amarelos.

Apesar da experiência traumática na infância, o caçula Sam sempre insistiu em buscar levar uma vida normal, cursando a faculdade e namorando firme enquanto Dean seguiu nômade e à margem do sistema, falsificando documentos e cartões de crédito para viver de acordo com a tradição da família.


O estranho desaparecimento do pai força a reaproximação dos irmãos, que possuem personalidades bastante diferentes, mas o mesmo ímpeto de salvar pessoas de quaisquer ameaças que ocasionalmente apareçam. Além disso, o caçula sempre teve um relacionamento difícil com John, porque não queria viver na estrada como ele e seu irmão.

A grande figura paterna da dupla acaba sendo o velho caçador Bobby Singer, que optou por seguir essa carreira depois que se viu forçado a matar a esposa possuída por um demônio.

As personalidades opostas dos irmãos traduzem uma leitura bem interessante da tênue linha que separa o bom do mau, muitas vezes faces da mesma moeda. Dean tem um temperamento impulsivo e uma grande propensão para a violência, mas é extremamente passional quando o assunto envolve família ou amigos enquanto seu irmão, apesar de paciente e reflexivo muitas vezes termina sendo pragmático e egoísta com pessoas próximas a ele.


A referência a figuras míticas, folclóricas ou religiosas é feita de maneira bastante original e inteligente, ocasionalmente funcionando para resolver um conflito emocional entre os dois, batizados pelo criador do seriado numa homenagem aos protagonistas de “On the Road” do escritor beatnik Jack Kerouac.

Vale comentar que o estilo de vida adotado por eles é constantemente discutido pelos mesmos, “condenados” a viver sempre em movimento sem se envolver romanticamente ou formar família. Com o passar das temporadas ele começa a se tornar emocionalmente desgastante para ambos.

Embora tenha apresentado sinais de desgaste criativo em suas últimas temporadas, a série continua interessante e trazendo situações de proporções épicas sem nunca perder o foco do relacionamento entre os Winchester, perdidos em meio ao caos onde tudo o que possuem e dependem é da confiança de um no outro.
 

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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