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Sobre o intrigante suspense de Os homens que não amavam as mulheres


O thriller policial é uma fórmula cinematográfica testada e comprovada. Diversos países ao redor do globo exploraram à sua maneira este gênero tão cativante que está sempre se renovando, trazendo sempre diferentes perspectivas para histórias aparentemente similares.

Vale mencionar que apesar do favorecimento dos aspectos pertencentes a este modelo de história, o sucesso não é garantido já que muitos apostam no óbvio e não desfrutam a potencialidade inscrita na mesma, gerando resultados previsíveis e banais.

A narrativa acompanha um jornalista que é contratado para investigar o paradeiro de uma garota que está desaparecida há quarenta anos. Condenado por difamação de um corrupto magnata sueco através de uma matéria na revista Millenium, seu idealismo e determinação foram determinantes para que o mesmo fosse escolhido para o caso.

Seguindo pistas abandonadas há muito tempo pela polícia, ele só começa a encontrar alguma coisa quando recebe a ajuda de uma misteriosa hacker que foi paga para descobrir tudo sobre ele, preferencialmente algo que possa ser usado para coagi-lo.


O progresso no deciframento das fotos e textos deixados pela garota leva à descoberta de uma série de crimes aparentemente isolados, mas que seguem um estranho e obscuro padrão.

A montagem do cineasta Niels Arden Oplev  é bastante fiel ao livro homônimo adaptado, escrito por Stieg Larsson e primeiro de uma trilogia.Cada descoberta vai revelando gradativamente os segredos de uma família que caracterizada por um ódio mútuo de seus integrantes, unidos somente pela cobiça financeira.

O diretor trabalha com cuidado o perfil de seus protagonistas, apontando suas respectivas jornadas e motivações, embora mantenha uma aura de mistério em torno da moça, conferindo uma atraente imprevisibilidade sobre seu comportamento.

A sequência na qual ela sofre nas mãos de um homem mostra como ela é familiarizada com a amargura, tendo se tornado emocionalmente forte para superá-la.

O aprofundamento de conhecimentos a respeito do ocorrido mostra ligações com o nazismo, justificando o mesmo através de citações do antigo testamento bíblico, quando na verdade trata-se de saciar um desejo doentio por violência.


Uma complexa trama onde fatos aparentemente desconexos vão lentamente formando um curioso painel. A difícil tarefa de desvendar um misterioso acontecimento soterrado pela poeira dos anos, proporcionando aos possíveis responsáveis tempo suficiente para eliminarem quaisquer evidências incriminadoras.

Interessante comentar ainda como a ilustração dos personagens leva o espectador a questionar sobre a conduta de cada um deles, o que é essencial num filme de suspense.

Um ótimo exemplar da cinematografia sueca que trata um esquema de roteiro já conhecido sob uma nova ambientação, conservando a essência própria do estilo enquanto incrementa a história, tornando-a mais densa e misteriosa, convidando desta forma o espectador para encontrar a resposta do enigma.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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