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Modo Aleatório | Planet Rage Hemp the Machine


Anos 90, em duas cidades litorâneas, em dois polos vanguardistas de arte e música, um no hemisfério norte outro no hemisfério sul, duas misturas entre rap e rock, duas ideologias com causas polemicas, duas bandas que conseguiram transmitir o que propuseram. Uma de Los Angeles e outra do Rio de Janeiro, falo de Rage Against the Machine e Planet Hemp.

Pouca semelhança é bobagem! Todo mundo daqui pra baixo já passou uma noite na cadeia.

Killing in The Name ressoa até hoje mundo a fora, desde 1992 onde foi hino da revolução contra a violência policial em L.A., (em 2014 no Reino unido ela foi a musica mais tocada após uma campanha de um casal de fãs em fazer Killing in the Name a música do natal britânico) e quando eu digo que é um hino, basta ver como os manifestantes de inflamam aos riffs de Tom Morello e vão pro pau. To falando de uma manifestação de verdade, uma treta absurda entre os pobres, negros e latinos californianos contra a repressão policial. E a conduta da banda estava bem definida. Vamos Pra Cima deles. Era sem meio termo, com o MIC na mão Zakc de la Rocha tinha o canal aberto pra criticar, governos, condutas, posturas e posições de todos aqueles que no seu ponto de vista eram opressores.

Paralelo a isso também em meados de 90, na Lapa bairro boêmio do Rio, Marcelo D2 (sinônimo Subversão), se reúne com Skunk e o resto da trupe para formar o Planet Hemp. Repito, meados dos anos 90. Falar de maconha era um tabu absurdo (ainda é) imagina fundar uma banda chamada Planeta Maconha!


Com o rap afiado e com uma levada muito pesada para a cena hip hop brasileira, foi fácil ser considerada uma banda de rock, mesmo com todos elementos do rap. Ainda mais quando perseguida pela mídia e pelas denúncias de apologia as drogas, a banda ganhou notoriedade no cenário nacional.

Legalize Já é tão ideológica quanto realista, foi vanguardista em ser bem direta e assumir seu papel de replicante e trazer um assunto que gerava repudio para os veículos de mídia quanto para as autoridades.

São alguns bons paralelos que existem entre as duas bandas, inclusive as idas e vindas.  As formações de novas bandas entre os integrantes, as carreiras solos dos vocalistas e o discurso imutável que perpetua em cada track executada.

Politicamente falando, acredito na influência desses caras para uma maior reflexão daqueles que não conseguem enxergar o papel do menos favorecido historicamente. Em discussões frequentes é muito simples olhar a cena atual sem levar em consideração todo o histórico. Falar de bandas dos anos 90 é falar de bandas que tem uma ideologia de 20 anos ou 30 anos de história pelo menos, e pelo visto são críticas e apontamentos que pouco mudaram daquela época pra cá, e possivelmente pouco mudou historicamente. Mas conhecer, proliferar e principalmente tentar entender a proposta do que está sendo exposto, no mínimo faz que a gente tenha um outro olhar para quem realmente tem o poder na mão.

Uma vez fã dessas bandas, será pra sempre fã.

A influência nas cenas locais tanto da Califórnia quanto no Eixo Rio-São Paulo oriundo dessas bandas ainda são visíveis até hoje, o legado foi deixado, as rimas foram feitas, o discurso foi afiado, os riffs foram eternizados.

Em inglês ou português e mensagem foi dada!

Planet Hemp – Legalize Já


RATM – Killing in the Name


Filipe Nascimento

Uma mente moderna, porém mal acabada. Paulista, urbano, viajante, sempre embalado por uma trilha sonora que transita entre o rock e o hip hop, entre as referências e as novidades.

|@Filipedonasc

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