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O espírito revolucionário em Che - O Argentino


Ernesto Che Guevara foi e ainda é uma figura emblemática no cenário internacional.Além de ser um dos importantes líderes da Revolução Cubana, é um ícone da luta pelos direitos do povo contra a opressão governamental apoiada pelo imperialismo norte-americano na América Latina.

Desde jovem o argentino estudante de medicina ficou sensibilizado com a situação de miséria em que se encontrava o povo sul-americano quando fez uma viagem de moto com seu amigo Alberto Granado pelo continente. Sua formação literária lhe permitiu expandir o caráter da proposta de mudança, permitindo que ela fosse algo além de uma tomada de poder.

A narrativa do primeiro dos dois filmes sobre sua vida do guerrilheiro (o segundo é intitulado Che: Guerrilha) acompanha sua jornada a partir do ingresso no grupo de Fidel Castro, atendendo a um pedido pessoal do mesmo.


Desde o início fica bem claro que o revolucionário protagonista tem uma perspectiva bem mais ampla que seus companheiros de luta, ensinando-os a ler e escrever para que compreendessem o sentido do que estava sendo feito naquele momento já que, segundo ele, todo analfabeto é passível de ser ludibriado.

A montagem do cineasta Steven Soderbergh alterna entre dois tempos em que ocorre a história: um durante a fase revolucionária e outra, em preto e branco, onde o protagonista, já empossado como ministro no governo cubano viaja até os Estados Unidos para uma conferência na ONU e uma entrevista a uma rede de televisão.

 O intercalamento de contextos mostra a formação da consciência rebelde de Che e como ela foi amadurecendo ao longo dos anos. Ilustra também como a mente estratégica de Fidel estava sempre à frente de seus companheiros, e os seus planos para Ernesto nem sempre eram compreendidos de imediato pelo mesmo.


Vale apontar também que a milícia revoltosa neste caso estava em sincronia com a vontade do povo, embora ambos estivessem tomando atitudes divergentes. A população procurava demonstrar seu descontentamento com o ditador Fulgêncio Batista através de greves enquanto as tropas de Castro sabiam que ele só sairia à força.

O debate do protagonista com os ministros do Panamá, Venezuela,Nicarágua e Estados Unidos, que desaprovaram a rebelião cubana e não concordavam com a existência de um “imperialismo norte-americano” (mencionado por Che em seu discurso) reflete o quão politizado e informado ele estava, desmistificando a ideia de um radicalismo cego.

O elenco traz as excelentes performances de Benicio Del Toro e Rodrigo Santoro, entre outros nessa história sobre a conquista da independência de uma nação para recuperar o seu orgulho e crescer por conta própria, funcionando como exemplo para todos os países reprimidos pela ideologia militarista dos países do Primeiro Mundo.

Um filme sobre a construção de um mito cujo valor torna-se cada vez mais importante na atual conjuntura, que infelizmente continua bastante parecida.


Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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