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Conexão 360º | Qual o valor da experiência virtual?


Vocês já devem ter percebido que nenhum produto cultural esgota seu conteúdo em si próprio na era das redes sociais. Tudo se conecta. O disco é o ingresso para extras de um show virtual na tela do notebook, a pulseira que dá acesso à área vip tem código QR com música inédita liberada após show e você tem a oportunidade de comprar o disco antes mesmo de ser gravado, ajudando o seu artista desconhecido a emplacar na carreira. O palco está em todo lugar com a experiência virtual.

E eu não estou falando apenas dos super stars com seus curta-metragens filmados na Índia travestidos de clipes de banda que tocam naquele seriado favorito. Incluo nessa mesa também o amigo do seu irmão que tem a bandinha de garagem ensaiando todo domingo, tão sagrado ensaio quanto a missa pentecostal. Apenas não tão consagrada. 

Outro dia o Facundo Guerra apresentou em suas redes sociais seu novo projeto que promete agitar muito mais do que as noites de São Paulo. Você conhece o GIG? Pois acessa aí e descubra como uma plataforma pode conectar fãs diretamente aos artistas e transformar todo e qualquer lugar em palco. Acesse o site aqui.


Todo artista, banda ou produtor precisa conectar a sua imagem e seu conteúdo de forma conveniente, com linguagem acessível e personalidade conforme a plataforma, que pode ser o GIG ou até mesmo o seu perfil no instagram. Essa conexão transformada em conteúdo tem muito valor. E todo valor percebido pode te dar sustentabilidade financeira, filhote. Pra você ter uma ideia, o valor que essas experiências provocaram no palco ou fora dele elevaram o preço dos ingressos entre os anos 1981 e 2012 acima de 400%, acredita? (Se quiser saber mais, fuça o artigo disponível na web “Land of Hope and Dreams: Rock and Roll, Economics and Rebuilding the Middle Class”).

A experiência virtual aproxima a bandinha do amigo do seu irmão da turma do colégio e ressucita lendários ícones da história da música. Quem diria que 35 anos depois da explosão mundial, a banda ABBA anunciaria um retorno aos "palcos"? A virtual experience tour terá datas e ingressos à venda para shows a partir de 2018. É com a mesma internet que você compartilha fotíneas de comida no insta que eles estão agregando valor e promovendo as experiências aos seus projetos. Percebe? Você está registrando momentos e eles estão fazendo história.


Mas como criar valor nas experiências virtuais, deixar seu público tão excitado quanto apresentações ao vivo e ainda cobrar por isto? 

O título da entrevista do Tom Zé à Revista Rolling Stone em meados de 2010 não consegue traduzir em letras garrafais a importância da sua mensagem: "O palco também é o lugar onde o público oferece seu coração à fantasia". E essa magia não pode ser exclusiva do show ao vivo. Use as redes para provocar, instigar e suscitar os desejos mais afetivos na sua audiência.

Lembro bem da interação causada pelo choro do ursinho Misha e a comoção universal em meio àquele momento que entraria para a história dos Jogos Olímpicos como um dos mais memoráveis. A conexão causada entre o escorrer da lágrima do mascote de Moscou e a audiência universal, em sua maioria onipresente graças à transmissão televisiva mostrou que a mensagem foi capturada.


Ainda não ouvi melhor metáfora para espelhar a condição humana e seus cinco sentidos em perceber o meio que nos cerca como aquela que diz que somos uma lâmpada acesa iluminando um quarto vazio. Um dia limitaram a nossa percepção do meio encobrindo-nos com uma caixa (como aquelas de papelão) contendo apenas cinco orifícios que permitem projetar cinco feixos de luz no ambiente. São apenas estes cinco sentidos que conseguimos perceber e são eles quem devemos explorar.

Um show ao vivo não é somente a música. É o repertório inteiro, é o figurino, é a performance. Presença de palco do vocalista, pack de efeitos visuais no telão, rider técnico da banda. A camisa do guitarrista, o sincero pedido de desculpas pelos problemas técnicos e a dancinha tosca do baixista, tudo influencia na experiência. E no ambiente virtual não é diferente. Aliás, com tantos álbuns e estilos, são aqueles artistas que exploram de forma criativa e mais assertiva os recursos que dispõem, os que melhor se destacam da maioria, do fluxo e do marketing.

Percebo com franqueza que ainda estamos limitados no hardware. Não muito tarde teremos a experiência virtual em um patamar extraordinário quando as condições de promover a sinestesia chegarem às nossas mãos. Consegue imaginar? “Eu vejo música. É mais do que apenas o que eu escuto.” Beyoncé junta-se ao seleto grupo (com Björk e Frank Ocean) que já trabalha a mistura desses sentidos. A experiência virtual caminha para misturar os sentidos mesmo que os gadgets hoje não sejam capazes de refletir.


Se podemos dar uma dica à bandinha do amigo do seu irmão, diga a ele que deve conduzir o som deles para a sinestésica experiência virtual. É na virtual square que ele vai ter a chance de mostrar qual o valor da sua música. O futuro mora ali, na palma da sua mão.

Vinicius Muniz

Especialista em inteligência comercial e comportamento intercultural. Compositor de músicas que transformam. Amante de viagens, festivais e da diversidade.

|@vinaadelmar

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