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Reconto | Mais que 13 porquês


Devorei a nova série do Netflix "13 Reasons Why" em 3 dias, só não terminei antes porque os episódios, digamos assim, são densos.

A série é homônima ao best-seller de Jay Asher e retrata o universo do ensino médio norte-americano através dos 13 motivos que levou uma garota ao suicídio. O cenário High School já é conhecido por nós, definidos pelos atletas malvados, pelos perseguidos nerds, gays, psicopatas, pelas garotas mais prafrentex e pelas “boas moças”. Porém, a série mergulha no comportamento desses jovens e nos faz refletir sobre o modo como tratamos as pessoas a nossa volta, sejam familiares, colegas de trabalho, amigos ou apenas conhecidos.

Dia desses, chegando em São Paulo, havia 3 adolescentes cariocas na fileira atrás de mim, vieram a viagem toda conversando, mas não prestei atenção. Assim que o avião pousou e o comunicado de ligar o celular foi feito, rapidamente elas se conectaram para saber das últimas notícias. Aquela cena típica: avião em solo, 95% dos passageiros em pé (com a porta fechada) e eis que uma delas diz em tom de surpresa: “Caraca!, um garoto morreu atropelado em frente à Universidade na calourada!”. Ficaram agitadas pesquisando e tentando entender como aconteceu aquela tragédia, chegaram à conclusão de que a culpa foi do próprio jovem, que se embriagou e saiu cambaleando pela rua. Culpa dele. Nem da Universidade e nem do motorista do ônibus.

No meio da maratona seriado fiz o link com a história do avião. Na narrativa, a escola faz de tudo para provar que a única culpada pelo próprio suicídio era a garota. Ponto. Nem a negligência dos professores, nem o bullying dos colegas e nem a falta de atenção dos pais.


Em uma sociedade em que a exposição por meio das redes sociais parece ser o único modo de compartilhamento de alegrias e diversão, fica difícil o contato mais próximo, o calor de um abraço, um conselho pro amigo não beber muito e, se beber, estar ao lado. Talvez o garoto nem estivesse bêbado, talvez estivesse sozinho. Talvez muitas das meninas que se suicidaram após um vazamento de foto íntima, não receberam o apoio de um amigo ou não tiveram coragem de conversar com seus pais ou familiares. Conectividade virtual máxima.

Olhemos para o lado, para as pessoas que fazem parte do nosso meio. Para o colega de baia, para a mãe que envelheceu, para a prima que se afastou da família, para o amigo que já não está mais presente e, principalmente para nossos valores. Estejamos conectados com o que realmente importa. Tenhamos compaixão.

Aline Marcondes

Paulistana de moradia carioca. Investe seu salário de engenheira em viagens e shows. Viciada em conversar e observar o comportamento humano.

|@alinemarc

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