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Reconto | O momento catártico de Sophia


A inspiração da coluna de hoje vem da série Girlboss. Sim, eu estava com outro assunto em pauta, mas ao começar a assistir a tão comentada série não pude deixar de fazer milhares de links com o cotidiano e com questões tão latentes. E não, a coluna não trata somente de séries do Netflix, foi um acaso mesmo.

A história de Sophia Amoruso, CEO do site Nasty Gal, que já chegou a lucrar 100 milhões de dólares em 2012 vendendo moda fast fashion, possui uma história inspiradora. Totalmente sem grana, comprou uma jaqueta por 9 dólares em um brechó de São Francisco, deu uma estilizada e revendeu no EBay por nada mais nada menos que 1.500 dólares. Assim, em uma só tacada, descobriu sua paixão por moda e como isso poderia lhe render muito dinheiro.

Assim como Sophia, a maioria de nós buscamos um trabalho apaixonante e ao mesmo tempo lucrativo. O assunto não poderia estar mais em voga quando temos a reforma da previdência como manchete diária, palestras e cursos diversos sobre ansiedade, meditação, autoconhecimento, isso sem contar no boom de profissionais de “Coaching” nos últimos anos (vale lembrar que a profissão ainda não é reconhecida pelo Ministério do Trabalho), que estão aí justamente para dar-nos um horizonte mais límpido para nossos anseios.

Por falar nisso, já ouviu a pergunta “No que você trabalharia de graça? ”. Quando me questionaram pela primeira vez, confesso que fiquei incomodada. Cheguei a pensar que meu propósito no mundo era nulo, zero, nadica de nada. Mas fui em busca de respostas. Até o famoso curso de meditação Vipassana eu fiz, aquele do Buddha, dez dias de silêncio e onze horas por dia de meditação, sabe? No quinto dia fiz minha mala para fugir, cheguei até a chamar o táxi, mas foi em vão, voltei quietinha e terminei o restante do curso, ainda bem.

Seguindo os ensinamentos de Buddha, sabemos que tudo é sofrimento. Esse sofrimento é o desejo ligado a coisas impermanentes. Eliminando o desejo, eliminaremos o sofrimento. Fácil né? Não, nada fácil. Trabalho não tem nada de impermanente! Ainda mais no modelo capitalista de consumo em que vivemos, Nasty Gal agradece.

O lance é que a dinâmica do mundo está muito rápida. Seguindo a linha do saudoso sociólogo Zygmunt Bauman, a fluidez com que tudo se desfaz nas relações liquidas é os que nos tornam tão ansiosos. Concordo que infelizmente somos treinados a pensar que o cargo que ocupamos ou a quantidade de dinheiro que recebemos seja proporcional a nossa felicidade e satisfação, mas em 2017 podemos afirmar que isso não é verdade.


Sophia teve seu momento catártico numa situação de desespero, e teve a sorte de ter dado certo. Não precisa chegar ao fundo do poço, mas aproveite alguns momentos do dia e reflita, tente meditar, pense. Pensamentos são fluidos, portanto deixe que eles passem. Nosso momento Nasty Gal pode estar mais próximo do que imaginamos.

Aline Marcondes

Paulistana de moradia carioca. Investe seu salário de engenheira em viagens e shows. Viciada em conversar e observar o comportamento humano.

|@alinemarc

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