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Modo Aleatório | ForFun, For Us, pra dissolver e recompor

Existem bandas que sabem o seu tamanho, sabem onde podem chegar e sabem onde não querem chegar, mas o melhor de tudo é saber como chegar e no final saber como sair. Confuso né?
Mas esse é o profile do Forfun, cariocas oriundos do Rio Core dos anos 2000, cheios de sotaques e meninices típicas da época e de fato com pouco qualidade músicas nas primeiras experiências.


Mas o Turn Over ocorreu, e da melhor maneira possível. Sempre valorizo a formação 4 caras! E com essa formação eles conseguiram explorar uma musicalidade muito particular no cenário nacional. crítica social, rock, hardcore, reggae, maconha, sexo, e muita espiritualidade, fator principal para a mudança de discurso que ficou estampado na cara e performance da banda.

Fui apresentado a banda em sua fase final, na melhor fase, sim isso é um alento pois com certeza eles entrariam na caixinha das bandas ruins que não ouviria se tivesse conhecido antes. Preconceito descarado, mas real. Eu os conheci no auge, justamente no período da turnê do Circo Voador Ao Vivo.

Acompanhei essa turnê e a turnê Nu, bem de perto. Casas cheias, ingressos esgotados, vibe incrível em cada show regado de enredos sociais e espirituais, uma casadinha que alimentou muitos fãs dessa última fase da banda. Cada dia era mais evidente que esse flerte entre o social e o espiritual era o que fazia a banda amadurecer, e por incrível que pareça em pleno auge alcançado no gueto sócio-espiritual que os acompanharam Brasil a fora, a trupe decidiu dissolver e parar as atividades da banda numa turnê de despedida. 

Fazendo um simples adendo ao público do Forfun, eles (nós) são a materialização do efeito social mídia, é uma banda que pouco circulou no mainstream, que mal se viu na televisão, que pouco tocou nas grandes rádios, mas que nos últimos 4 anos de atividade nunca fizeram um show vazio, e é isso que vale, a música de fato atingiu quem queria ser atingido.

Aí aconteceu a separação, um pequeno hiato, e logo fomos presenteados com dois novos Forfuns, parte da Banda formou o Braza, banda com sou experimental e letras que soam fletam com a religiosidade/espiritualidade típicos da formação antiga, e o baixista/vocalista Rodrigo se juntou com velhos amigos para formar o Carranca, com uma pegada mais forte, mais política e mais agressiva na crítica.


Se você colocar as três bandas na playlist, vai achar que é a mesma, pois suas épocas, suas virtudes, suas posições estão bem expostas, o interessante é ver que o melhor de cada integrante está sendo empregado e dedicado nos novos projetos.

Na fase Forfun, no rádio do meu carro tinha uma seleção de vários sucessos, e um deles minha filha de 7 anos pedia pra eu pôr no repeat diversas e diversas vezes, pois tinha uma frase que ela (e eu) gostamos muito “Pra dissolver e recompor ...”, e é muito bom poder ouvir uma banda que ainda canta o que acredita. Nada mais que uma multiplicação de ideias e conceitos está sendo disseminado por esses caras que entenderam que a música é só um canal!

Chegou a hora, dissolveram, se recompuseram em duas novas bandas e a mesma mensagem continua a ser disseminada.

Do Lado do Carranca, destaco Vicio por Vicio, Showdown e Casa como as principais faixas pra Curtir, do Lado do Braza, ouçam Segue o Baile e Embrasa. São boas pedidas e boas referências daquilo que pode ser classificado como hardcore com sound system espiritualizado com crítica social.

Filipe Nascimento

Uma mente moderna, porém mal acabada. Paulista, urbano, viajante, sempre embalado por uma trilha sonora que transita entre o rock e o hip hop, entre as referências e as novidades.

|@Filipedonasc

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