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Abre Aspas | O fenômeno Pabllo Vittar


Se você não sabe de quem se trata, bem vindo de volta da caverna aonde estava se escondendo. A Drag Queen Pabllo Vittar, que soma hoje 700 mil inscritos e pouco mais de 72 milhões de visualizações em seu canal do YouTube, foi um dos hits do carnaval de 2017. Gravou com Anitta e Major Lazer e vêm usando seu sucesso para reforçar sua militância LGBT.

No país que lidera o assassinato de pessoas trans no mundo, aonde um homem público tem espaço para destilar sua homofobia sem quaisquer consequências, Pabllo é uma figura de suma importância. Assumidamente homossexual e afeminada, ela defende: "Eu amo ser afeminada, porquê ser afeminada é revolucionário". O surgimento de ícones populares como a maranhense trazem à tona a discussão da importância da representatividade.

Grande parte da nossa identidade, a forma como nos vemos e como somos vistos socialmente, se constrói pela imagem, pela representação. Os conteúdos que são expostos através da mídia podem ter um efeito de reafirmação de um lugar á mesa no espectro social - como é o caso da representação heteronormativa, predominantemente masculina e branca (Isso, claro para quem se adequa a esses rótulos) - ou de reiteração de preconceitos e estereótipos, para todos que não se enquadram nas características citadas.

"A construção das identidades individuais está diretamente relacionada aos produtos midiáticos que consumimos" (a frase é de Amanda Souza, mas eu roubei).

A exemplo; Whoppi Goldberg relatou que ficou empolgada ao se deparar com a tenente Uhura em Star Trek, uma mulher negra, na televisão "E ela não era nenhuma empregada" completa a atriz.

É natural que com a ascensão de uma figura representando essas minorias de forma tão imponente, surjam comentários que criticam não só seu trabalho mas sua personalidade e orientação sexual. Como  as reações ao seu ensaio para a Playboy, que apesar de terem sido, em maioria positiva, também tiveram uma dose considerável de preconceito. Essas reações mostram o quanto, ainda hoje temos uma visão marginalizante de toda orientação ou  gradiente de gênero que foge ao heterossexual e cisgênero.

Como assumir estar fora do padrão se ninguém o fizer? Ou se aqueles que o fazem são representados como drogados, portadores de HIV, desempregados, "vagabundos" e sempre secundários? É absurdo esperar que uma camada da população simplesmente tenha q abstrair o contexto socioeconômico, a cor ou a orientação sexual de seus personagens para criar algum tipo de identificação com eles. Isso cria o que Chimamanda Ngozi Adichie chama de "história única", ou seja, os indivíduos inclusos em determinado grupo, por falta de uma representação fidedigna, ficam limitados às suas caricaturas.

Além disso, a presença de uma história única, implica (para os grupos abraçados por esta) numa desconexão com o resto da sociedade, gerando uma ausência de empatia, o que, de muitas formas explica o preconceito que gira em torno desses grupos.

Daí a importância de Pabllo, um exemplo de drag queen bem sucedida, profissional e emocionalmente, que nos mostra uma das muitas histórias da comunidade LGBT.



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