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Modo Aleatório | Meus Heróis morreram de Overdose

 

Cada dia que passa as músicas e letras dos anos 80 estão mais presentes e atuais, se mostram atemporais pelo seu conteúdo e diligencia, são quase profecias de um ciclo vivido e revivido, escutado, visto e acompanhado ao longo das décadas.

Os inimigos perpetuam no poder, político, midiático e social, claro que com suas ressalvas e mais liberdade de acessos e opiniões, mas o que não muda são nossos/meus heróis morrendo de overdose, seja ela qual for.

Com o avanço da psicologia é notório que a depressão e as síndromes em geral sejam os principais fatores dos excessos de drogas no Mainstream. A lista é quase infinita, os custos culturais e suas perdas são incalculáveis e suas faltas são irreparáveis.

Recentemente, conheci a lendária Rua Haight-Ashbury, local que ganhou fama no mundo por ser o paraíso das droga, e a casa de diversos músicos e grupos de rock'n'roll psicodélico dos anos 70, como Janis Joplin, Jefferson Airplane e Grateful Dead, cujos integrantes viviam a pouca distância da famosa interseção e que eternizaram a cena local em diversas canções.

É um local muito emblemático, até hoje é possível respirar a ideia que foi proposta ali, liberdade, life style, vanguardismo, San Francisco é o polo mundial daquilo que é novo, porém consegue manter a essência do tradicional como em nenhum outro lugar.

Nem preciso dizer que essa geração é a representação do Sexo Drogas e Rock and Roll!

Nesse local e nesse dia, recebi com tristeza a notícia da morte de Chris Cornell, sua overdose foi diferente das overdoses de Chorão, Amy Winehouse, e toda a turma dos 27 anos que se foram. O resultado é o mesmo, a morte, e a causa também é a mesma, a depressão, só o meio que foi diferente.


Talvez Cazuza hoje cantaria que seus heróis morreram deprimidos, a música é a expressão da depressão, por mais que sua alegria e o extravasar da liberdade seja presente, o que move uma composição artística profunda que marca uma geração é a depressão.

Em San Francisco, na Califórnia, num ponto tão icônico como essa esquina, um simples flashback da carreira desse ícone passou pelos meus olhos, desde Black Hole Sun até Show me How to Live. Me emocionei, me lembrei da cena grunge, da influência que Soundgarden teve sobre aquela galera, sobre os skates e as músicas autenticas de quem precisava manifestar algo novo, assim como seu frescor em tentar reacender algo como formar uma superbanda com os caras do RATM e criar o Audioslave.

Eu vivi as duas épocas, vi pouco da sua carreira solo, não era um fã incondicional, porém sempre valorizei sua potência vocal, sua maneira de escrever e pouco sabia sobre seus demônios internos que culminou nessa tragédia.

Seu legado é o que temos, caso você não conheça, ouça o primeiro álbum do Soundgarden e do Audioslave, tenho certeza que seus clássicos se tornarão mais clássicos ainda e sei que infelizmente não será o último herói que não suporta o poder da criptonita depressiva!


R.I.P Chris !

Filipe Nascimento

Uma mente moderna, porém mal acabada. Paulista, urbano, viajante, sempre embalado por uma trilha sonora que transita entre o rock e o hip hop, entre as referências e as novidades.

|@Filipedonasc

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