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Abre Aspas | We are alone, we are utterly alone



Tatuada nas costelas do ex-guitarrista dos Red Hot Chili Peppers, Dave Navarro, a frase deveria estar tatuada em nós três. Digo nós três porquê me refiro a Dave eu e você. Fico à vontade para não me referir a quem lê este artigo no plural, uma vez que a relação de todos que leem com tudo que leem, é uma e essa uma nunca é a uma da Uma Thruman.

Em comum eu, você, Dave e Uma temos o estar só, apesar de nem todos expressarmos isto da mesma maneira. Alguém com melhor domínio da norma culta da língua, por exemplo, talvez substituísse "o estar só" pelo "a solidão", já que "estar" é verbo e chamá-lo de substantivo é uma derivação imprópria (que alguns verbos consideram ofensiva).

Isso tudo dito para chegar aqui: A vida é uma merda e para Uns isso é mais verdade que para Outros. Ninguém tem como estar verdadeiramente bem enquanto Uns não estiverem. Nós até fingimos não ver, nos dopamos de ostentosidades (neologismo) e, claro, drogas, mas no fundo sabemos que enquanto essa estrutura piramidal não ruir, estamos todos debaixo dela, ainda que nós Outros acolchoados pelos Uns, que estão sempre na iminência de serem completamente esmagados.

Conheci hoje Uns, Uma mais especificamente. Uma não atuou em parte nenhuma de Pulp Fiction ou Kill Bill, a vida reservou para ela um papel secundário e muito mais cruel.

Ela estava deitada no chão, tinha usado sabe-se lá os quês e tirou um dos seios da camisa me chamando com alguma dificuldade. Minha reação foi entregar os restos de uma batata frita que eu comia e ir embora com passos apressados.

Ela poderia estar mais sozinha que Dave e nós mas, mesmo que um leitor desatento pudesse achar que todas as nossas vidas continuavam uma merda (a de Uma mais do que a nossa), aquela batata mudou tudo. Em um só gesto corrigi quinhentos anos de injustiça e estava tudo resolvido.

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