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Modo Aleatório | Duas Décadas Sobrevivendo no Inferno


Nem Jorge da Capadócia imaginaria que no Genesis desse projeto, Sobrevivendo no Inferno se tornaria a Bíblia do Rap Nacional, tendo como principal instrução seu Capitulo 4, Versículo 3.
Tô ouvindo alguém me chamar, mesmo sendo um Rapaz Comum nesse universo periférico para conta minha história nos moldes de um Diário de um Detento. Afinal, Periferia é Periferia (em qualquer lugar), e com tantas obscenidades políticas e sociais eu preciso escolher Em qual Mentira vou Acreditar, desejando grandemente imergir no Mundo Mágico de Oz e trazer à tona a Formula Mágica da Paz.

Um Salve pra todos os irmãos e irmão que desde 1997 acreditam nesse enredo e sabem bem como é ouvir sua história traduzida em contos de alguém que se faz a sua voz.

Para quem está familiarizado já entendeu, para quem nunca ouviu Sobrevivendo no Inferno, o disco da capa preta dos racionais MC’s, lhes apresento em Negrito as 11 faixas que mudaram o rap nacional, a visão da periferia, o poder de escolha, a voz do excluído e ainda é mais atual que qualquer noticiário jornalístico sensacionalista. É tão profundo que até hoje gera algo oriundo dele, e digo mais, pode render ótimas séries e filmes pelo seu rico conteúdo histórico, dramático.

Vamos voltar um pouco no tempo e contextualizar esse post. Recentemente brincado com alguns amigos, usávamos frases de efeitos das músicas dos Racionais para responder perguntas do dia a dia, e nessa brincadeira comecei a recordar das músicas que eu cantava em 1998 e 1999. Veio na memória 11 minutos ininterruptos de letras sobre a história do Guina (Tô Ouvindo Alguém me Chamar) e os 7 minutos do Diário de um Detento. São músicas que não tem refrões, que são histórias de começo meio e fim, são fatos e ficções unidas em enredos que se tornam visuais e ricos nos detalhes de uma memória afetiva de quem cresceu na periferia.


Isso faz 20 anos! Faz vinte anos que racionais lançou o álbum mais emblemático do rap nacional. Esse disco está classificado entre os 20 álbuns mais importantes da música brasileira pela sua relevância.  Pra mim é top five sem nenhum questionamento.

Numa época onde só haviam 2 meios de comunicação, o rádio e a televisão aberta, o quarteto vendeu mais de um milhão e quinhentas mil cópias desse CD. Emplacaram 3 clips na MTV Brasil e o mais curto deles tinha 7 minutos e meio, ganharam o prêmio de Escolha da Audiência, o prêmio mais importante daquela época para qualquer artista nacional. Era a vez da periferia, era hora de expor suas mazelas e jogar na cara da sociedade que o show business não é só glamour.

Faroeste Caboclo de fato não passa de uma história faroeste perto dos cenários, casos e chuva de sangue detalhada em todas as músicas do disco, regado de conteúdo religioso que permeia o universo das favelas, é possível se transportar para esse mundo através dos Beats mixados de músicas de Tim Maia, Marvin Gaye, Jorge Bem Jorge e outros ícones da Disco e Black 60 e 70.

É impossível um só rap escrito de 1997 pra cá que não bebeu dessa fonte, IMPOSSÍVEL.

Sobrevivendo no Inferno é cânone do hip hop brasileiro, nele está contido a alma atemporal que representa o estilo musical, é o modelo especifico da voz do protesto, da realidade preterida de uma minoria desfavorecida de opções e de direitos básicos, onde o crime muitas vezes não é nem uma opção e sim uma obrigação.

Ouvir músicas de 1997 e perceber que nada mudou, é como ler os evangelhos e ver que falta muito pra sabermos o que é de fato Amor.

Mano Brown, KL Jay, Ice Blue e Ed Rock, estão longe de serem os apóstolos bíblicos, mas com certeza trouxeram Boas Novas para o Rap nacional com as mensagens contidas nessa obra prima que completa 20 anos em 2017!




Filipe Nascimento

Uma mente moderna, porém mal acabada. Paulista, urbano, viajante, sempre embalado por uma trilha sonora que transita entre o rock e o hip hop, entre as referências e as novidades.

|@Filipedonasc

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