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Toca-Fita | De onde as fitas vêm? Como viveram?


Foi em 1963 que a holandesa Philips Company desenvolveu a fita cassete, também chamada de K7. Mas só em 1970, tornou-se possível um consumidor gravar seu conteúdo conforme o seu gosto (as famosas mixtapes). Entretanto, essa tecnologia foi elaborada pelos alemães, que em 1930 desenvolveram o que denominaram de “princípio magnético”, o Magnetophon, sendo o primeiro equipamento para gravação e reprodução das fitas magnéticas. Na mesma época, os norte-americanos tinham algo semelhante, uma espécie de máquina de gravação em arame magnético, mas sem a qualidade dos alemães.
 
A partir da década de 1940, o processo de gravação em fitas magnéticas chegou nas gravadoras, trazendo a possibilidade de editar e manipular o material gravado. Foi possível alterar o andamento da gravação; acrescentar uma gravação a alguma já existente (overdubbing, processo conhecido aqui no Brasil como “pingue-pongue”*) e ainda cortar trechos da fita para “colar” com outros.

As fitas K7 trouxeram a portabilidade musical. Com os aparelhos de som dos automóveis – que tocavam só as músicas das programações de estações de rádio –, as K7 deram o poder para nós escolhermos quais as músicas que queríamos ouvir dentro (ou fora) dos carros. Desta forma, as fitas contribuíram para que a gravação musical fosse então editada, antes do acesso do consumidor à versão final da música.
Com o surgimento do walkman houve uma grande mudança na nossa relação em como escutar a música. Munido com os auscultadores (sim, deram esse nome feio para os fones de ouvido), o walkman foi durante décadas o aparato mais conhecido para o “leitor de fitas cassete portátil”. Segundo algumas fontes, o primeiro walkman foi vendido no Japão em julho de 1979 e foram mais de 400 milhões de unidades vendidas com a marca. O primeiro modelo foi criado pelo engenheiro de audiovisual da Sony, Nobutoshi Kihara, encomendado pelo presidente da Sony, Akio Morita, que queria algo portátil para ouvir ópera durante as suas frequentes viagens. Assim, divulgaram que a empresa Sony foi a inventora do aparato. Entretanto, o idealizador do conceito de “leitor de música portátil” foi Andreas Pavel, de origem alemã – que viveu vários anos no Brasil –, e patenteou o dispositivo na Itália em 1977 e, mais tarde, só pra garantir, também fez a patente nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Japão, chamando-o de cinto estéreo (outro nome feio).

Em 1980, Pavel e a empresa Sony começaram a disputa sobre a patente do player de K7 portátil até que, em 1986, a Sony perdeu e foi obrigada a pagar royalties à Pavel sobre alguns dos modelos de walkman vendidos na Alemanha, mas a empresa continuou sem reconhecê-lo como o seu inventor.

No ano de 2004, Pavel, mesmo falido com os gastos desse longo processo, retomou a negociação com a Sony, e obteve um acordo, do qual não foram publicados os resultados até hoje.
Com a expansão musical para o âmbito digital, o walkman (de fitas cassete) aos poucos foi dando lugar ao discman (CD player portátil), produzido e lançado no mercado em 1982, também pela empresa Sony. Mas sobre o lance digital ficará pra próxima.

* O “pingue-pongue” (overdubbing nas fitas K7) foi usado no disco da banda The Beatles - Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band (1967) como um dos discos revolucionários na edição de gravações.

Adendo: Esse texto é uma adaptação da minha dissertação, defendida em 2015. Caso alguém se interesse nas fontes que foram consultadas, deixarei a mesma aqui disponível. Faça o download aqui ou aqui.



Bruno Torrez

Filho de Bamba, cresceu em pagode de mesa. Mestre em Ed. Musical, baterista, ama o Grunge e as pessoas sensíveis. Como dizia seu pai: "Que sejamos sempre nós três. Eu, você e a nossa amizade".

|@btoorrez

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