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Abre Aspas | Romance Relâmpago



O início dessa história, Ato I, é despretensioso e entediante. Como em Hamlet, dois guardas conversavam:

Bernardo: Alto lá, quem vem aí?

Francisco: O outro guarda do início da peça, imbecil.

E nesse primeiro encontro - que poderia muito bem ter acontecido assim - surge em Bernardo uma tímida vontade de ver Francisco de joelhos chupando o seu pau. é que Francisco tinha um vestido vermelho que lhe caía muito bem. É que Francisco era ela e Bernardo era eu.

Alguns dias depois, Francisco agarrou minha bunda, num tom brincalhão, sorriu e seguiu andando. Naquele sorriso feio, desdenhoso e tão sincero, o pugilista,  prosopopeia para os meus sentimentos, levantou-se disposto a entrar novamente num ringue, já bastante familiar, aonde (diga-se de passagem) acumulava diversas derrotas.

Por essas e outras, quis me reduzir. A nada. A sombra de sua sombra, de sua mão e de seu cão. Se assim fosse preciso para ali estar, só para ali estar com ela. Ridículo, calma porra.

Os românticos abriram um sorriso no túmulo.

Sei que o tom da narrativa pode dar a entender que a referência "shakesperiana" aqui é Romeu e Julieta e não Hamlet, o que até poderia ser verdade, já que ambas (spoiler) terminam em tragédia.
A observação que faço é que, ao passo que a tragédia de Romeu e Julieta tem uma conotação romântica, esta é só uma tragédia trágica.

E que diabos aconteceu? Nos perguntamos.
Se consumou oras! Mate um sonho o tornando realidade.
O que aconteceu? Aconteceu.

Em sacrilégio a tradição romântica essa se mostrou uma paixão bastante palpável e não tardou a se consumar. Em verdade, menos ainda demorou a se esquecer. O beijo foi bom, o toque foi bom, mas nessa mistura só mudo eu.

Nosso caso morreu, na beleza fria (e imutável) de Francisco, voltamos a fazer guarda, como manda a rotina e sem muito conversar, à espera do finado rei Norueguês.


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