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Cinético | A Inútil Geração 90’s


Você já deve ter ouvido essa expressão antes, tendo em conta que, toda geração, no ocidente, acaba por ser “taxada” de algo. Definir a geração da última década do século XX como a inútil geração se dá principalmente pela sua apatia frente a questões sócio-políticas, acarretadas da globalização. A falta de iniciativa e de sacrifícios dessa geração tinha origem no medo da instabilidade econômica, do desemprego e das incertezas de um mundo cada vez mais tecnológico, que se preparava para novas formas de interação em todas as esferas.

A geração 90’s, consequentemente, usou do que esse mundo tecnológico e cada vez mais globalizado tinha a oferecer, como entretenimento. E o entretenimento, portando, se tornou o seu entorpecente. Não estou falando dos reality shows com pessoas de vinte e poucos – quer dizer, posso também está. Mas, o mais importante nisso é como o entretenimento entorpecente dos jovens dessa geração mudou o panorama da relação que temos, hoje, com as profissões criativas. E, como o mundo underground de ontem favoreceu e fortaleceu as lutas das minorias...


Sim, se você também teve um estilo um pouco alternativo até o início de 00’s, deve ter ouvido muita besteira ao longo do tempo. Seja pelo seu cabelo colorido, pelas roupas rasgadas e pretas, ou tatuagens, ou pelas músicas “enguiçadas” e barulhentas que você ouvia no último volume. Sua família e todo mundo que não estava preparado para sua afronta reclamava todos os dias até você se comportar de um jeito dito normal. Em resumo, muita gente se cansou e ficou normal. Assim como muita gente deu a louca e resolveu continuar sendo e fazendo de sua profissão aquilo que era apenas o entorpecente da sua juventude.

Ainda hoje vai ter gente que não sabe o que um designer realmente faz. Ainda vai ter quem entorte para o tatuador e pros tatuados e modificados, como se fossem enviados de satã! Tem gente que sempre vai te dizer que o DJ e o artista tão só fazendo um hobbie, enquanto não começam um “trabalho de verdade”. Tem gente que nunca vai entender a importância da música eletrônica e daquelas festas doidas para o movimento LGBT e para o início do fim da segregação racial (Lembrando que, também no Brasil, existiam boates onde segregavam negros).

Arte de Pez, conhecido por trabalhos em grandes raves.

Fotografia de Charles Peterson.

Após aquela onda puritana por volta da década de 1950, as gerações seguintes entendiam que as pessoas que viviam as margens da sociedade existiam, mas que vivessem literalmente as margens, no escuro, no armário, ou em qualquer canto que não pudessem existir, digamos. A geração 90’s, de fato, não pode ser tão inútil como podem pensar.

A geração que acredita no trabalho por amor, na arte como trabalho, na utilidade das profissões subjetivas e das coisas subjetivas para o homem. Numa perspectiva cosmopolita e antropológica positiva de que outras culturas, outras raças, outros guetos e grupos sociais possam criar, juntos, novas manifestações, das quais ainda não podemos tirar uma conclusão do está desencadeando. A geração inútil, ou a geração Z, não foi de toda tão inútil quanto se pensara... Resta saber como vamos chamar as gerações seguintes. Algum palpite? ;)


Isabelli Rodrigues

Designer, atua nas áreas de design emocional, processos de criação e de construção, antes mesmo de sua formação.Tem dificuldade em dividir as coisas por áreas.

|@isabelli.tcumg

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