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Reconto | Joga fora no lixo


Mudei de casa. Acordei na última sexta-feira com o objetivo de levar minhas coisas para o novo cantinho. A ideia de alugar um furgão foi por água abaixo assim que vi empilhada as caixas e sacolas que separei para o suposto auto frete. Jacinto me ajudou a transportar tudo, no total foram cinco viagens de elevador em cada prédio. Dez viagens!

No dia seguinte comecei a refletir sobre acúmulo. Acúmulo vem do latim e pode significar: amontoar em cúmulo (máximo, auge) ou também sobreviver e suceder-se. Sobreviver? Por isso que esse monte de famílias descendentes de imigrantes acumulam coisas? Aprendi com minha avó? Por isso minha mãe é assim? E eu também? Pausa para o insight.

‘Minimalism: A Documentary About the Important Things’, disponível no Netflix, é um documentário muito interessante que aborda o conceito de viver com menos. Assisti ao documentário há alguns dias antes da mudança e, novamente, me vi na contramão do tempo. Porque será que é tão difícil não acumularmos, não comprarmos, não gerarmos tanto lixo? De onde vem essa necessidade de ter?

A UFMG* em parceria com o SPC** fez um estudo bem bacana a respeito do perfil do consumidor brasileiro. Constatou-se que apesar da maioria da população se definir como “consumidor moderado”, os números revelaram um perfil de consumo imediatista, baseado em impulsos meramente psicológicos sem nenhuma base econômica.

Então quer dizer que eu compro e acumulo tranqueiras por repetir o que minhas tataravós faziam em um contexto precário? Por ser constantemente atravessada pelos anúncios cada vez mais subliminares?

Eita.....será que terapia resolve? Talvez saísse mais barato. Mas segue o baile, bom mesmo é tomar consciência dos nossos atos e revisitar nossa memória toda vez que desejarmos por algo material. Aliás, vale lembrar também que nem só de matéria vive o homem, também acumulamos raiva, tristeza e desânimo, o que gera uma sobrecarga no fígado! Aham, isso mesmo, é ele quem filtra tudinho lá dentro, o chakra do plexo solar é quem o rege. Vai achando que Epocler resolve...

Tudo isso para mais uma vez concluir (tomara que surta efeitos dessa vez) que não precisamos de (muitas) coisas materiais para estarmos bem. A necessidade de consumo é uma falácia de fazer dindin. A blusa linda de morrer, os óculos de sol bafônicos, o sapato da última coleção, o carro superconfortável e tampouco o relógio incrível solucionarão nossos reais anseios. Até porque, o relógio que tanto queremos corre em tempo distinto do nosso. Corre no mesmo tempo das parcelas do cartão de crédito.


* Universidade Federal de Minas Gerais
** Serviço de Proteção ao Crédito

Aline Marcondes

Paulistana de moradia carioca. Investe seu salário de engenheira em viagens e shows. Viciada em conversar e observar o comportamento humano.

|@alinemarc

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