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Reconto | Ressaca


Sento-me e aperto uma playlist específica. Inicio com Julian Casablancas num acústico perfeito para meu cérebro. Demoro a entender que já me encontro na mesa de trabalho. Não sei como cheguei até aqui. Minhas pálpebras pesam, engraçado como eu não havia notado que elas existem até este momento.

Tudo começou na sexta, quando com Dire Straits me acompanhou na estrada, afinal toda viagem tem seu charme. Depois de algumas horas, rever os amigos queridos em um casamento  foi maravilhoso, óbvio que merecia uma cervejinha. Opa, cervejinha não, chopp. Cem litros para ser mais exata, que infelizmente acabaram na mesma noite. Nota: o grupo de amigos trabalha com planejamento, em sua maioria. Não sabemos porque não durou até o dia seguinte.

Partimos para o sertanejo de Marília Mendonça, para alegria de uns, união de outros e desespero do restante. Assim, relembramos a cidade quie nos acolheu durante o período da faculdade e colocamos para fora os agudos mais intensos, do tamanho da nossa alegria. Pausa para tomar água e ouvir Nina Simone, ainda acalmando e me mantendo mais equilibrada para os 35 slides que devo terminar ainda hoje.

Conversas sendo colocadas em dia, histórias recontadas pela milésima vez, mas que ainda causam comoção e risadas. Bota um Pablo Vittar aí! O que? Você não conhece? Ah é, você casou e teve um filho. Peraí que a lista tá no gatilho. Daí para a Anitta foi questão de 3 músicas. A temperatura estava na casa de uns 10 graus, o chopp também. E os músculos das pernas sendo trabalhados constantemente devido ao número de coreografias. Na hora juro que achei que eu nem lembraria dessa parte.

Neste momento da segunda-feira já estou ouvindo In Rainbows de cabo a rabo, e olha que na íntegra assim só em dias nublados. No momento faz 35 graus com céu límpido, sem nuvens. A garrafa de água já está na terceira enchida e o café não faz absolutamente nenhum efeito. Cama e edredom são as únicas imagens que vem à mente. Terminei o terceiro slide.

Sábado de sol e piscina pede caipirinha né! Um clássico tupiniquim. Ainda mais se está rolando um Molejo com Raça Negra, tem que ter mesmo! Na hora de se arrumar para a grande festa, achei que fiz a melhor maquiagem da vida. E o penteado? Arrasei. Mas confesso que estou receosa de olhar as fotos agora, talvez eu prefira manter a ideia do que eu vi na hora.

The XX como próxima trilha sonora para o meio da tarde, sinto alguns músculos das pernas que não sabia que estavam aqui. Minha lombar grita, quase me xingando, apenas recordando que meus vinte anos já se passaram há algum tempo. Pega leve garota!

Festa de doze horas? Aqui mesmo, pode trazer. Gim foi o escolhido da vez, acompanhado de todas as playlists tocadas desde sexta, mas dessa vez por um DJ profissional, sem delay entre músicas e com luzes que acompanhavam o gim na corrente sanguínea. Até agora não sei porque não comi nada do buffet maravilhoso que a noiva demorou meses para escolher. Pelo menos ela fez a degustação. Docinhos? Tinha? Não vi. Mas vi a hora que minha melhor amiga desceu até o chão o novo hit do MC Kevinho, e olha que eu nem sabia que ela dançava até o chão. Nem ela.

Apesar da Fundação Nacional do Sono recomendar 7 a 9 horas de sono por noite para a minha faixa etária, não conquistei nem míseras 6 horinhas no total dos 3 dias. Se fosse prova, teria ficado de recuperação.

Resolvo dar uma volta no andar para ver se alguma célula resolve se multiplicar para me fornecer energia. Não teve jeito, empurrei o trabalho para o dia seguinte com minha barriga ressacada. Na copa encontro um amigo e, pelo semblante dele, me reconheço. Sorrimos empaticamente.  Ainda acho que a salvação é o Engov depois. Espero um dia comprovar minha teoria, se eu lembrar.

P.S: dedico esse texto a todos os meus amigos da faculdade e aos noivos Ju e João.

Aline Marcondes

Paulistana de moradia carioca. Investe seu salário de engenheira em viagens e shows. Viciada em conversar e observar o comportamento humano.

|@alinemarc

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