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Toca-Fita | Caminhando na nuvem 9


Lá estava eu numa loja de música (sim, elas ainda existem*), mal começo a garimpar e já encontro duas pérolas usadas em perfeitas condições e cada uma por R$20,00. Eram dois CD's do Jamiroquail: Dynamite (2005) e o mais recente, Automaton (2017). Jay Kay, que estava desde 2010 sem lançar um álbum de estúdio, chegou a anunciar a sua aposentadoria, mas resolveu por voltar à ativa com um dos discos mais altos que já escutei**.

A faixa homônima foi o primeiro single a ser lançado, mas venho aqui falar um pouco sobre Cloud 9, que foi a segunda música de trabalho desse disco. No dia 10 de fevereiro desse ano, soltaram um clipe (audio version) dessa faixa no Youtube oficial da banda, mas esse que apenas continha cenas repetidas de uma uma autoestrada “infinita”, tendo imagens de uma câmera posicionada no para-choques dianteiro de um carro. Ao meu ver, isso foi só um tipo de teaser do que viria a ser o clipe oficial da faixa. O clipe “mesmo” de Cloud 9, lançado em 22 de fevereiro, foi rodado na cidade de Almeria (Espanha), tendo a atriz/modelo Monica Cruz como protagonista do vídeo e contracenando juntamente com Jay. Ele aparece dirigindo uma Ferrari 275 GBT/4 (1967), realizando uma homenagem ao clipe de “Cosmic Girl” (1996). Trata-se de um clipe que contou com imagens aéreas de autoestradas e automóveis bacanas e modesto em termos orçamentários, mas com belas imagens externas, contrastadas com as internas noturnas - avermelhadas, típicas de boates -, tendo umas pitadas de Quentin Tarantino na sua concepção e direção.

Cloud 9 - Jamiroquai

Mas, sobre a música em si, observei que o andamento dela (BPM - batidas por minuto) foi o ponto chave para a produção da faixa. Sobre isso, certa vez, Dave Grohl (Foo Fighters) disse em entrevista que no momento em que ele começa a compor suas músicas, dá atenção ao andamento delas, com intenção de conseguir fazer as pessoas pularem durante os seus shows. A introdução de Cloud 9 possui um acorde de piano e um crescendo envolvendo onomatopeias de voz de Jay, com seus truques em utilizar a respiração diafragmática. O reverse (grande aliado do Dubstep) aparece no groove, sendo inserido na caixa do beat no quarto tempo do compasso. Isso dá uma sensação de atraso, mas ao mesmo tempo de apoio. As guitarras limpas de Rob Harris, podem ser comparadas às típicas de “Thriller” (1982) e os synths, teclados e programações de Matt Jonhson, por coincidência ou não, também remetem a obra de Michael Jackson. O baixo de Paul Turner foi timbrado com um rosnado extra que aparenta ter sido usado um oitavador e a bateria de Derrick McKenzie fica contida nos versos e aparece um pouco mais no refrão, mas sempre muito bem sincronizada com a bateria eletrônica (programação) de Matt. A letra da canção é - de forma bastante subliminar -, sobre a autoestima de uma pessoa que está recém separada, naquele típico: a fila anda, baby. Ou ainda: não me quer, tem quem queira.

Por mais que alguns digam que o Jamiroquail possui uma fórmula que mistura e copia James Brown, Stevie Wonder, e com uns "muitos" de Michael Jackson, o som que a banda faz é, musicalmente dizendo, excelente. Lembro-me quando eu escutava em casa o disco Travelling Without Moving (1996) e meu pai dizia: "Esse cara é bom!". Ainda que existam influências descaradas de outros artistas no estilo das composições do Jamiroquail, você pode perguntar para qualquer músico sobre a parte instrumental da banda. A resposta provavelmente será: "Eles são ótimos músicos". 

 

Adendo: Proponho que experimente colocar a música Cloud 9 na sua playlist e parta para dar uma caminhada. Verás que, devido ao andamento da canção, ela tem um grande potencial para dar um gás durante o exercício. Falando em caminhada, percebi Jay meio bochechudinho no clipe ou foi só impressão minha? Talvez, por causa desse peso extra (para quem sempre foi muito magro e dançava horrores nos palcos e clipes), pode ter sido a principal causa em deixar Jay hospitalizado. Fato que ocorreu em meados do mês de maio desse ano. Motivo: hérnia de disco.


* Uma das lojas de música que costumo frequentar da cidade chama-se Música Urbana. Local muito agradável de João Pessoa, fica localizada na cidade alta do Centro.

**Um pouco sobre a guerra de volumes nas gravações, veja aqui e aqui.

Bruno Torrez

Filho de Bamba, cresceu em pagode de mesa. Mestre em Ed. Musical, baterista, ama o Grunge e as pessoas sensíveis. Como dizia seu pai: "Que sejamos sempre nós três. Eu, você e a nossa amizade".

|@btoorrez

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