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Cinético | Ser-te-ás Subversivo!


A história da humanidade é assim, ó: um pra frente, dois pra trás; um pra frente, dois pra trás; um pra frente, dois pra trás... ♪♫ E o que uma das maiores escolas já criadas tem haver com isso? Tudo bem, não que todo designer seja apaixonado pela Bauhaus (apesar de que deveria!), mas é importante conhecer o contexto ao qual ela estava inserida e quão desafiadora ela conseguiu ser. Temos muito o que aprender, digo, todos nós temos muito o que aprender com esse fenômeno que foi a Staatliches Bauhaus.

Você que vem ver a RevistaK7 pela arte e se pergunta o motivo de eu sempre tratar de política, quando falo de arte. Pois bem, é que não cabe a um designer ser irreflexivo, permanentemente inquietante ele deve estar sempre atento às causas que podem suscitar na ausência da qualidade de vida. Só quem entende isso pode enxergar na Bauhaus um divisor de águas - entre os que se perdiam na defesa de um retorno ao estilo de vida quase que medieval, como o William Morris, e a defesa dos interesses sórdidos de capitalistas selvagens (os de verdade, os banqueiros, senhores de fábricas, burgueses...).

Um dos projetos de espaços comunitários, a cozinha e refeitório da Bauhaus, em Dessau.


De grandes projetos aos minuciosos a experimental escola de arte, design e arquitetura conseguiu mudar o cenário e a vida do consumidor. Caracterizado pela racionalidade e pela simplicidade, tudo aquilo que foi produzido na Bauhaus precisava ser polido até que o produto final fosse funcional e acessível. Além de se pensar nos meios de produção, redução de custos e de recursos ambientais, a fim de descartar o que é supérfluo.

Acontece que, veja bem a treta: a Staatliches Bauhaus foi construída, inicialmente, na República de Weimar, Alemanha, em 1919. Dada a nova configuração política que se instalava no país, seu fundador, Gropius, precisou relocar a escola para Dessau. Na década de 20 os nazistas estavam muito preocupados com a vida alheia. Não podendo ser diferente, tinham de se preocupar com o que as pessoas escreviam, desenhavam e tocavam. Um incômodo pela arte considerada degenerada! Escritores nazistas criaram artigos defendendo o fechamento da escola, que era composta basicamente por mulheres artistas, russos (houve muita influência do construtivismo russo também), judeus, comunistas e "afins". Então, após muita perseguição e ameaças, as portas da Bauhaus se fecharam. Em 1932 a escola reabriu em Berlim. Apesar de muitas produções terem sido vendidas para que os nazistas não tomassem posse, muito se conservou na arquitetura e no design. E o mais importante: o legado e a coragem de criar, mesmo em circunstâncias opressoras.


Quer mais sobre a Staatliches Bauhaus?


Aproveite alucinantemente esse ballet da Bauhaus!

Isabelli Rodrigues

Designer, atua nas áreas de design emocional, processos de criação e de construção, antes mesmo de sua formação.Tem dificuldade em dividir as coisas por áreas.

|@isabelli.tcumg

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