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Cinético | Sexta 13: Lugar e Apego

 Assassinato em Amityville

Todo mundo tem aquele lugar feliz, não é mesmo?  Aquele sítio que você ia na infância, aquela cidade que te marcou, lugares específicos em cidades, que te dão nostalgia e países que nos atraem inexplicavelmente. Isso porque todo lugar tem a sua própria atmosfera e, por mais que um profissional planeje esses espaços, o que vai definir o apego ou a amargura por um lugar serão as experiências vividas neste. Se possuímos certos lugares especiais aos quais criamos vínculos e afetos, há também aqueles que podem causar desconforto para alguns. Tanto pelas suas experiências, quanto pela atmosfera já criada anteriormente por grandes catástrofes.

Neste artigo especial de “sexta-feira 13”, vamos falar de design emocional por um viés menos visual e mais sensorial (não descartando o primeiro!). Existem lugares no mundo considerados marcados. Marcados pela memória de desastres, por violência, trabalhos escravos, mortes e muito outros motivos que dão um ar pesado ao lugar. Independentemente de superstições ou teorias da existência do espiritual, sabemos que estes lugares geram aversão, mal estar e medo em muitos e, muitos destes já nos serviram de inspiração para a literatura e para a cinematografia.

Floresta Aokigahara, no Japão

Demônios de Aokigahara, ensaio Creative Commons

Muitas histórias podem inspirar a literatura e os filmes de terror, mas, no caso da floresta de Aokigahara, a literatura de Seicho Matsumoto se tornou realidade. A floresta fica abaixo do monte Fuji, no Japão. Centenas de pessoas cometem suicídio, anualmente, neste local, alegando serem misteriosamente chamadas até ele – talvez, inspiradas pelo que leem, pelas mitologias sobre a floresta e/ou pela atmosfera criada no lugar, por meio de objetos encontrados por lá e um silêncio enlouquecedor... Relógios e bússolas não funcionam nesse lugar, assim como objetos metálicos se comportam estranhamente.  Acredita-se que a relação desses acontecimentos esteja associada a grande quantidade de metais encontrados nas rochas mais próximas.

A floresta não atrai somente aqueles que pretendem interromper suas vidas. Há os que a adentram para praticar rituais macabros e turistas fissurados em histórias assombrosas. O fato é que, pela atmosfera facilmente afetar a psique das pessoas, é muito fácil se desesperar e se perder lá dentro. Os que já sabem dessa possibilidade, geralmente moradores próximos ou a polícia, costumam criar uma trilha com fitas e cordas.

Campo de concentração Auschwitz, na Polônia

Quando falamos dos campos de extermínio nazistas, sempre nos é um assunto sensível, tanto por ser um dos grandes genocídios da racional espécie humana, como por, assustadoramente, ser algo muito recente na nossa história. No campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, cerca de 1.3 milhões de pessoas – incluindo crianças – foram exploradas, experimentadas e assassinadas.

Quem visita esse território, independente de crenças e do nível de sensibilidade, sempre entra em consenso com outros relatos. Não são assombrações, ou aparições, ou estalos, nada disso! Muitos visitantes sentem o ar muito pesado, tristeza profunda e até vomitam. Se há ou não uma energia resultante das atrocidades praticadas no campo de concentração de Auschwitz, não se sabe. Mas, certamente, o ocorrido e toda a configuração dos espaços que se parece com o que realmente foi (um abatedouro) impactam fisiologicamente seus visitantes. É claro que existe a possibilidade de você encontrar espécie nada rara de humanos nestes lugares, como você pode ver aqui, aqui e aqui.

Mercado Modelo, Bahia

O Brasil nunca tá atrás, quando o assunto é divida histórica. E, talvez por isso, sempre temos lendas de lugares amaldiçoados por índios e por pessoas escravizadas. Como você já deve ter percebido, o texto não questiona a veracidade de tais lendas. Existindo ou não tais maldições, é óbvio que, pelo menos na consciência do brasileiro elas existem. O caso do Mercado Modelo, na Bahia, é muito conhecido em todo o país. O local já foi um grande ponto de venda de escravos. Estas pessoas ficavam estocadas no seu subsolo e há quem diga que dá pra escutar vozes vindas de lá.

Recentemente, o “Conde Drácula” afirmou que o Palácio do Jaburu também estaria assombrado, mas, pouco se sabe sobre sua veracidade, como também sobre sua consciência! E você, tem o seu lugarzinho amaldiçoado? Aquela escola antigona onde você estudava; uma casa velha; o prédio onde trabalha; a sua mente?


Isabelli Rodrigues

Designer, atua nas áreas de design emocional, processos de criação e de construção, antes mesmo de sua formação.Tem dificuldade em dividir as coisas por áreas.

|@isabelli.tcumg

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