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Toca-Fita | Morphine: já ouviu falar sobre o “Low Rock"?


Mark Sandman: “At your service”

Se você gosta de dias frios, chuvosos, vinho e rock n’ roll, provavelmente também gostará de Morphine. Conheci essa banda por volta do ano 2000. Tratava-se de um power trio envolvendo bateria, saxofone e baixo. Este último, na maioria das vezes, tendo apenas duas cordas e tocado com um slide. A banda começou no ano de 1989, em Massachusetts (EUA), e dez anos depois aconteceu a “maior tragédia do rock”, segundo a MTV: Mark Sandman (baixista/vocal), morreu no palco com um ataque fulminante do coração. Mark fundou um instituto de musicalização para crianças, um estúdio/gravadora, chamado Hi-N-Dry e viveu alguns anos de sua vida no Brasil. Uma das músicas que a banda mais obteve sucesso foi “Buena”, assista abaixo:


O Morphine misturava elementos do Jazz, com o Blues e as estruturas do Rock. Apesar de não ter um guitarrista, o baixo de Mark possuía bastante médios-graves; vários efeitos (comumente vistos em guitarras) inseridos no som do saxofone de Dana Colley – wah-wah, distorções, delays e reverbs –, foram muito utilizados com maestria. Um dos projetos mais recentes que Dana participou chama-se “The Deltahorse”, que mistura a atmosfera do Low Rock com elementos eletrônicos. Tive a oportunidade em ajudar na tradução para o português em um dos seus primeiros sites e eles fizeram a gentileza de me mandar um pacote de extras por e-mail. Você pode conferir um pouco do projeto aqui.

Passaram dois bateristas “oficiais” pelo Morphine: Jerome Deupree (que gravou o primeiro disco (Good, 1992) e ainda participou do último disco lançado em estúdio (The Night, 2000) e Billy Conway (que gravou duas faixas do primeiro disco e todos os demais). Ainda teve o baterista Larry Dersch, que gravou a faixa “Like Swimming” do disco homônimo (1997), e também integrou um outro projeto – após morte de Mark –, chamado A.K.A.C.O.D., que falo sobre ele um pouco mais adiante.

Dana Colley, Billy Conway e Mark Sandman

Sempre que apresento Morphine para algum amigo(a), seja músico ou não, algum tempo depois, recebo a mesma resposta: “Por que eu não conheci isso antes?” O fato é que o Morphine possuía uma fórmula bastante inusitada, ou sui generis, do latim: que possui gênero próprio. A essência sonora realmente é única, mas eles passeavam bastante entre os estilos, com músicas dançantes; outras puro rock n’roll; psicodélicas; letras, riffs e temas profundos. Existe um documentário sobre a vida de Mark e a banda – contendo depoimentos de seus parentes e também com nomes de peso da música, como: Ben Harper, Les Claypool (baixista da banda Primus) e Josh Homme (Queens Of The Stone Age), entre outros artistas e ex-membros da banda –, que você pode conferir o doc. legendado abaixo:

 

 

Bandas pós-Morphine: Twinemen, A.K.A.C.O.D. e Bourbon Princess


Twinemen: surgiu em 2002 e lançou três discos. Nela, os ex-membros do Morphine se juntaram com a vocalista Laurie Sargent, e gostaria de destacar aqui uma canção deles que sempre me acalma quando pego um engarrafamento, chamada: “In my Head”.

A.K.A.C.O.D.: A musicista Monique Ortiz assumiu o papel de “front woman” nos vocais e baixos. No A.K.A.C.O.D, a bateria foi gravada por Larry Dersch, que participou (como disse anteriormente) em uma faixa com o Morphine, também teve Dana Colley no saxofone. Tratando-se de um disco em excelência ao gênero, destaco a magnífica e pacificadora “Hipnotized”.

Monique Ortiz

Bourbon Princess: É o projeto solo de Monique. Ela trabalha nele desde 1998. No excelente disco “Dark Of Days (2005)”, o saxofone ficou ao cargo de Russ Gershon e na bateria: Jerome Deupree. A voz de Monique e sua presença são avassaladoras nesse disco, que foi muito bem produzido e orquestrado, comparado aos trabalhos dela anteriores. Aprecio nele um certo tipo de evolução que ocorreu ao Low Rock, principalmente sobre quesito do “Low”, ou seja, aos graves, como também em termos de produção, mixagem e masterização. O baixo sem trastes (slidebass) foi gravado por ela, e possui uma profundidade e pureza de timbres que encantam. Gostaria de colocar um link para a apaixonante faixa “Dark of Days”, que também é o nome do disco (tenho ele em formato físico aqui), mas é aí que começa a novela: Não tem no Youtube um link sequer. Monique retirou tudo e pede pra retirar – quando ela acha algum post, link com músicas dela. Até hashtags, acredite, ela já me pediu para retirar no Instagram. Do disco “Dark of Days” ela deixou apenas um vídeo caseiro da música “The Hat” no Youtube. Spotify? Desista. Ela fez uma postagem no seu perfil do Facebook sobre o quanto é desumano o pagamento do Spotify para os artistas. No Deezer tem, mas 30 segundos só. Se quiser mais, só se for pago. Monique faz um tipo de luta em busca do reconhecimento internacional via web dos direitos autorais para os artistas.
Seu projeto atual, o “Alien Knife Fight”, é um duo com seu marido na bateria. Nele, ainda existem algumas características do Low Rock (como o baixo de duas cordas, tocado com slide), mas trata-se de um estilo de música bem mais “fora dos padrões” que os seus projetos anteriores. Um pouco de Punk, um pouco de Country (talvez ligado à localização deles – o Texas), mas, muito mais “louco”, frenético, berrado e de difícil absorção. Particularmente, achei decadente e prefiro muito mais os trabalhos anteriores.

Vapours of Morphine: Dana e Jerome juntaram-se a Jeremy Lyons (baixo/voz) para montar esse projeto em 2009. Nele, eles fazem releituras de algumas músicas do Morphine e também músicas próprias. Chamaram o estilo de “New Low” e você pode conferir a versão deles de “Let’s Take a Trip Togheter”, do Morphine, aqui.

Low Shout - Foto: Gi Ismael

Low Shout: Cerca de três anos atrás, conseguimos montar um projeto para tocar Low Rock aqui na cidade (João Pessoa). Nele, tocamos covers e versões da maioria das bandas que mencionei no texto, além de alguns esboços de canções próprias (em português). É o projeto que mais me satisfez como baterista, desde 1996, até então. Os ensaios são engrandecedores, transcendentes à música que fazemos. Tocamos algumas faixas, paramos, trocamos ideias/experiências muito engraçadas e nos respeitamos bastante. Adoro trios e ter o saxofone de Stephan Bülher no lugar de uma guitarra é uma sensação muito bacana para mim como baterista. Você pode conferir um trechinho de um ensaio nosso (em baixa qualidade, fizemos apenas para registro), abaixo:


Porém, nos primeiros shows (fizemos poucos), nas hashtags que eu colocava no Facebook/Instagram, lá estava ela: Monique. Reclamando e pedindo para excluir. Eu custei a entender o porquê disso. Afinal, somos fãs do estilo, estávamos propagando a ideia do gênero aqui pelas bandas do nordeste e não existe lei no planeta que fale sobre não poder usar esses “#” na internet. E, ainda, sobretudo, eu não estava difamando ninguém, muito menos ela e sua música. Então tivemos um hiato com a banda, que durou cerca de um ano – um pedido de Yuri da Costa (baixo e voz), para sua defesa de doutorado –, e voltamos a ensaiar recentemente. Lá fui eu, hashtag no Instagram e lá veio Monique de novo. Só que dessa vez ela passou dos limites aceitáveis, tratando-me com muita invasão. Colocar família no meio não dá.


Adendo: De fã, tive que bloquear meu ídolo. Assim, podemos esperar algumas reclamações em breve com esse texto e/ou com as fotos. Oremos.


Bruno Torrez

Filho de Bamba, cresceu em pagode de mesa. Mestre em Ed. Musical, baterista, ama o Grunge e as pessoas sensíveis. Como dizia seu pai: "Que sejamos sempre nós três. Eu, você e a nossa amizade".

|@btoorrez

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