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Toca-Fita | Os Foo’s no topo do mundo (de novo)

Sim, o novo disco do Foo Fighters atingiu o topo da Billboard pela segunda vez.


O Foo Fighters entrou novamente no Billboard “Artist 100”, com 127.000 unidades de álbuns vendidos, de acordo com a Nielsen Music. O “Artist 100” foi lançado em julho de 2014 e mede como foram as atividades do artista de acordo com o consumo da sua música, somando as vendas de álbuns e faixas, rádio, reprodução e interação de fãs nas redes sociais, para assim, fornecer uma classificação semanal multidimensional do artista. O Foo Fighters tornou-se o sexto artista na história do “Artista 100” a conseguir entrar nesse páreo por duas vezes (a anterior foi com o disco Wasting Lights, 2011). Os outros artistas foram: The Lumineers, Prince, Bon Jovi, A Tribe Called Quest e JAY-Z.


Para Concrete and Gold, Dave Grohl queria por que queria o produtor Greg Kurstin. Este que levou três Grammy’s (Adele, 25, 2015). Dave explica como foi essa empreitada em um documentário – feito em animação –, assim como outros detalhes na produção do disco. Veja o vídeo legendado aqui.

Capa do álbum "Concrete and Gold"

Somente após a terceira audição, pude perceber o quanto que o disco é excelente. Ele tem uma textura mais abafada que seus anteriores – talvez pela intervenção do produtor, Greg, que trabalha com artistas da área pop –, e a masterização dele fugiu um pouco da regra de “quanto mais alto melhor”. O disco também possui muitas, mas muitas vozes. Desde seu primeiro disco, Dave sempre apostou em dobrar as vozes nas gravações de suas canções. Não satisfeito, ele ainda colocava chorus em algumas das pistas vocais. Nesse novo disco, ele conseguiu uma exploração vocal tamanha que lembrou muito a banda Queen, no seu ápice de orquestração de vozes. Na faixa título, que fecha o disco, a atmosfera da música lembra bastante Pink Floyd em sua essência. Tanto na parte vocal, quanto nos arranjos instrumentais.
Não é qualquer um que tem um ex-Beatle tocando bateria no seu disco. Paul McCartney, aos 75 anos, fez o trivial com as baquetas – mas com muita maestria e soube colocar peso nas horas certas –, participando na faixa Sunday Rain. Ainda teve mais participações bacanas: Alison Mosshart (The Kills), Justin Timberlake (que fez backings vocals) e Shawn Stockman (Boyz II Men).


Se Dave não tivesse quebrado o pé em junho de 2015 num show na Suécia, acho que não teria composto “Run”. Só quem quebra o pé, passando por meses de imobilização e fisioterapia, sabe como é a felicidade de voltar a andar e correr. “Run” foi o primeiro single de trabalho deste novo disco e possui uma melodia grudenta, que impregna nas nossas cabeças, o vulgo “chiclete”. Segundo Oliver Sacks, em seu livro Alucinações Musicais (2007), o termo em inglês para essas melodias que ficam sem querer nas nossas cabeças é “brainworms” (algo como: “vermes no cérebro”). Os Beatles, ao meu ver, foram os mais consagrados da história da música em fazer melodias assim. Eles criavam muitas de suas melodias por meio do assovio. Eu acredito muito nessa vertente de composição. Parece que Dave também e isso vem dando certo.
Foo Fighters irá tocar ano que vem no Brasil, juntamente com o Queens of the Stone Age em quatro datas: 25/02 Maracanã (RJ); 27/02 Allianz Parque (SP); 02/03 Pedreira (SC); e no dia 04/03 no Beira Rio (RS).
No site de vendas da banda, o vinil sai pela bagatela de US$19,99 e o CD por US$11,99. 

Adendo: Tive a oportunidade de assistir o show do Foo Fighters duas vezes. A primeira foi no Rock in Rio (2001) e eles estavam na turnê de There Is Nothing Left to Lose. Foi no dia também de R.E.M. e Beck. Dave não berrava “normal” não. Vê-lo realizando um combate de baterias com Taylor (já que sou baterista), foi algo surreal para mim. Se você já foi para festivais de grande porte como o RIR, sabe que a melhor hora para ir ao banheiro ou comprar algo para comer/beber é durante os shows. Pois nos intervalos entre uma banda e outra, é ter que encarar filas quilométricas. Então, depois do duelo de baterias, eu, apertadíssimo de cervejas, corri para o banheiro. Chego nele e deu ruim: lotado. Quando chega na minha vez, naquele sentimento de felicidade – em que você começa a esvaziar algo que estava te estourando por dentro –, de forma sincronizada, Dave começou a tocar os acordes de Everlong. Não consigo esquecer tal sincronia. 
Na segunda vez que vi os Foo’s foi em Sampa (Morumbi, 2015). Eles tocaram cerca de 2h45min, com direito a um palco surgindo no meio da área vip, de músicas com somente Dave ao violão e um pedido de casamento entre duas pessoas que se amavam. Foi lindo. Milhares de celulares acesos no lugar dos antigos isqueiros. Um dos melhores shows que já assisti na vida. Ao final do show, Taylor joga suas baquetas para o público. Uma dessas que cai nas mãos da minha ex-cunhada (Ingrid). Uma mulher pacata, com a voz mansinha. Só que, pela primeira vez, pude vê-la com “sangue nos olhos”. Ela berrava: “É minhaaaaa!”, tentando afastar uma corja de marmanjos que tentava tomar a baqueta à força dos seus punhos. Estávamos em um grupo de cinco pessoas e tentamos apaziguar aquela situação de imundice (advindo da péssima educação da elite brasileira, pois estávamos na área vip). Assim que normalizou o tumulto, ela, ainda com os olhos bem avermelhados, vira pra mim e diz: “É sua. Peguei pra você”. E assim, a baqueta do Taylor está hoje pendurada na parede daqui de casa, como um belo objeto de decoração. Muito obrigado, Ingrid.



Bruno Torrez

Filho de Bamba, cresceu em pagode de mesa. Mestre em Ed. Musical, baterista, ama o Grunge e as pessoas sensíveis. Como dizia seu pai: "Que sejamos sempre nós três. Eu, você e a nossa amizade".

|@btoorrez

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