Ads Top

Xeque-mate ou tiro no pé?


Nos últimos meses a cantora Anitta lançou um projeto um pouco perigoso, insano e exaustivo. Uma ousadia! Ela prometeu lançar uma música nova com um videoclipe todo mês. O que pegou os seus fãs de surpresa.

Não há dúvidas que a cantora vem sendo cada vez mais respeitada em âmbito mundial com o seu trabalho no mundo pop, com parcerias de peso, visual agradável e identidade única.

Mas será que lançar um single todo mês é uma boa estratégia? Sim, a nível de marketing é perfeito, pois é a forma com que o artista tem de se manter em destaque e alimentar os seus fãs e seguidores, que fazem parte de uma sociedade que cada vez o consumo de música está mais volátil. Os pontos contra são que a qualidade, tanto dos vídeos quanto das músicas , não se manteriam com um prazo tão curto de produção e com uma enorme pressão das marcas com que Anitta fez parceria.

Percebe-se que no último lançamento, o clipe de "It's that for me?", em parceria com o DJ Alesso, foi gravado em dois dias, sendo que pouco tempo depois, dois ou três dias, estava pronto, mixado e editado para ser lançado na internet e num grande festival de música no Rio de Janeiro (Aí vemos mais marcas de peso em suas parcerias).

Os looks e até mesmo a edição do vídeo receberam várias críticas negativas. Dee última hora tiveram que inventar, ou não, um conceito para explicar o vídeo e evitar situações constrangedoras. Também no áudio da música "Will I See You" encontra-se alguns erros de mixagem criticados por alguns especialistas na internet.


Será que com mais tempo ou um orçamento menos fragmentado por causa dos clipes teríamos uma melhor qualidade por single?

Claro que o projeto não foi um fracasso ou mesmo como citado no título, "um tiro no pé", muito pelo contrário, foi um grande sucesso para a carreira nacional e internacional de Anitta, que marca seu nome no cenário pop mundial. Porém nos faz refletir sobre a importância do vídeo e da forma com que se é consumida a música hoje em dia. Onde tudo passa muito rápido, não dando tempo e espaço para o artista trabalhar na obra, deixando uma saudade dos clipes memoráveis e históricos de fato, com orçamentos na casa dos 6 dígitos, com um conceito riquíssimo e uma qualidade, que mesmo com os recursos que temos hoje, não o fazemos por falta de interesse e necessidade.

Estamos nos contentando com pouco quando se trata de clipes, nos importando menos com a qualidade e transformando-os em algo descartável na mão da industria visual, já que a industria fonográfica está cada vez pior das pernas!

Fica a reflexão, o intuito não é criticar o projeto em si, e sim nós mesmos como consumidores de música.

Diego Santos

Publicitário, apaixonado por música, mercado, design e cultura POP. E acredita que o mundo será um lugar melhor através da música e da arte.

|@diegosantozz

Tecnologia do Blogger.