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Batemos um papo com Bruna Barros, uma ilustradora cheia de sensibilidade e personalidade



Bruna Torres Barros, 29 anos, é de Timóteo, MG. Apaixonada por desafios, descobriu desde cedo que o desenho serviría como uma poderosa ferramenta de comunicação. Durante anos trabalhou como ilustradora de livros infantis, mas, é claro que precisava ir mais além, e foi.

Hoje, Bruna precisa dividir o tempo com mais uma paixão: a tatuagem. E não importa o que está diante dos seus olhos, se é um papel em branco ou uma pele pronta para receber tinta, ela sempre vai dar o seu melhor.

Em meio a uma agenda bem cheia, a ilustradora conseguiu reservar um tempinho para conversar com a gente. Batemos um papo sobre inspirações, como é ser mulher num universo quase que dominado por homens, a busca pelo "estilo próprio", e muito mais.

Confira!

Antes de seguir carreira como tatuadora, você se aventurou em outras áreas. Conte como foi esse processo de descoberta.
Ainda me sinto dentro de um processo de descoberta e as vezes acho que nunca vai acabar. Isso as vezes torna a caminhada um pouco aflitiva mas ao mesmo tempo me permite experimentar de tudo. Foi assim que a tatuagem apareceu.

Quando percebi que não daria para fazer outra coisa além de desenhar, comecei a procurar outras formas de aplicação do meu desenho. Eu já estava trabalhando como ilustradora e já tinha alguns livros publicados em vários lugares do mundo, mas tinha necessidade de diversificar o trabalho e precisava de mais uma fonte de renda. Eu estava começando a ficar preocupada porque a ilustração é uma coisa que exige muito tempo de prática, estudos, leitura, conhecimento das técnicas, materiais caríssimos… e nem sempre é bem remunerada.

No meio desse percurso conheci a Aline Wata, tatuadora incrível que se ofereceu para me introduzir as noções de tatuagem e me acompanhar nas minhas primeiras sessões. Foi mágico perceber que não apenas tinha condições de fazer uma tatuagem, como fui percebendo que as pessoas se identificavam com os desenhos que eu fazia a ponto de querer ter na pele.



Você trabalhou como ilustradora de livros infantis. Imagino que sejam duas áreas distintamente prazerosas, mas se você só pudesse escolher uma para seguir, qual seria? 
Eu ainda faço livros infantis! Inclusive neste momento estou fazendo dois. Eu me vejo como ILUSTRADORA, e acredito que esse termo é capaz de abranger tudo o que quero fazer: desenhar, comunicar através de linhas e formas e contar histórias. O que muda de um trabalho para o outro é o suporte. Na tatuagem o suporte é uma pessoa, que dialoga comigo, que leva um pouco de mim e trás para a minha vida um tanto de informações novas.

Por mais que eu converse com o papel enquanto desenho (e eu converso mesmo), é muito diferente. Acredito que dentro de mim essas duas áreas se complementam, hoje eu não saberia escolher. O difícil nisso tudo é organizar a agenda!

Enquanto clientes homens são recebidos com apertos de mãos e tapinhas nas costas, eu sinto que o simples fato de eu ser mulher faz de mim uma potencial ignorante no assunto...

Você consegue lembrar da primeira tatuagem em um cliente? Como foi esse momento? 
Claro! Agradeço às minhas corajosas amigas que nas primeiras semanas estiveram ali e me deram essa força. No começo era difícil ter o controle pedal/máquina, a maquininha parecia que tinha vida própria e dava um medo danado de errar. Fora a isso tem o fato de que durante o contato com a agulha a pele fica tremendo, e isso causa uma sensação esquisita no olho.

  
Embora existam muitas tatuadoras super talentosas, esse universo ainda é dominado pelos homens. Você já sentiu algum tipo de preconceito em relação a isso? 
Ah sim, claro. Felizmente dos meus clientes eu sempre senti muita admiração e confiança. Mas eu ainda sofro toda vez que tenho que fazer compras de materiais para o estúdio. Enquanto clientes homens são recebidos com apertos de mãos e tapinhas nas costas, eu sinto que o simples fato de eu ser mulher faz de mim uma potencial ignorante no assunto, e isso se soma ao fato de eu praticamente não ter tatuagens. Me sinto uma bobinha num universo de machões. É uma sensação estranha, como se eu tivesse que provar alguma coisa para enfim ser tratada como uma cliente bem vinda.

Vivo buscando um estilo que melhor me represente, que eu faça com mais prazer, que flua naturalmente.

É sempre um desafio para qualquer artista encontrar seu próprio estilo. Pra você isso também foi difícil? Como você definiria suas criações? 
Vivo buscando um estilo que melhor me represente, que eu faça com mais prazer, que flua naturalmente. As vezes acho que encontrei, mas sou inquieta e percebi que o que gosto mesmo é das investigações, de pesquisar técnicas e novas formas de comunicação. Recentemente descobri a importância desse processo para mim, é divertido, instigante e vejo como isso reflete no resultado final. Acho que por isso eu nunca vou parar num estilo só. Tomara que não.

  
Uma de suas grandes inspirações é a natureza, certo? O que mais te inspira? 
Eu não saberia dizer o que mais me inspira, tenho fases. Nesses últimos tempos me inspirei sim nas formas da natureza, porque senti que precisava aprender mais sobre elas. Ainda estou nesse processo, ainda quero aprender mais sobre desenhar animais, tentar descobrir como fazê-los dialogar com a pessoa que está vendo o desenho. Também tenho gostado de observar como as pessoas se relacionam umas com as outras, acho que por hora tendo a caminhar nesse sentido.

Esse é o momento em que pedimos para que os artistas indiquem um filme, uma música e um livro.
Tem muito filme bom por aí, sinto que acabamos nos acomodando no Netflix e nessas séries super repetitivas. Nos últimos meses eu e meu namorado voltamos a pesquisar filmes, escolher com cuidado cada título e vejo o quanto isso expandiu minha criatividade. Tem filmes tão bons que me tocam como se eu tivesse ido ver uma exposição. Mais do que um único filme, gostaria de indicar um site que disponibiliza o que há de melhor por aí: FilmesCult.com.br

Tenho ouvido muito “Songs of Leonard Cohen”, disco lindo e delicado.

Estou apaixonada por um livro infantil chamado “Daqui ninguém passa”, originariamente publicado em Portugal pela editora Planeta Tangerina, e no Brasil foi publicado pela editora SESI-SP. Acho que as crianças precisam ter mais contato com esse tipo de literatura, que usa do humor para aguçar o senso critico, explora o livro como um todo e não infantiliza o leitor.

O que você espera de 2018? Quais suas metas para esse ano?
Em 2018 espero que as pessoas se conectem mais, que troquem mais, que saibam silenciar as próprias certezas e se deixem modificar pelo outro. Silenciar as minhas certezas é uma coisa que eu tenho grande dificuldade mas percebo o quanto é importante. 2017 me fez pensar no poder das trocas e tenho movimentado junto com algumas amigas grupos que se encontram periodicamente para trocar conhecimentos. A minha meta para 2018 é seguir aprendendo com o outro, os meus projetos são muitos e espero poder concluir ao menos a metade.
 










Álisson Boeira

Fundador da Revistak7. Gaúcho, que vive no Mundo da Lua, e que não gosta de churrasco e nem chimarrão.

|@alissonfboeira

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