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Cinético | O Lixo Que A Gente Gosta


Objeto de ódio semeado por todo o mundo, esse país faz lembrar-nos de uma premissa muito citada por romanos (Catulo e Virgílio, a priori.) e também pela psicanalise (Lacan). A relação entre amor e ódio é bem confusa e um sentimento pode ser apenas a frustração do outro – simplificando a questão! E, por falar em Roma, há quem diga que os E.U.A. são o novo majestoso império, dono do mundo. A nova lata de lixo, que recebe tudo de toda parte e produz de um tudo em grande quantidade sem sequer existir filtro.

Como característica de grandes impérios, não pode faltar ao histórico do país um pouco de imundice pra que sua economia e influência tomassem tais proporções. Não se odeia um estadunidense unicamente pelo conservadorismo tipicamente americano tão copiado e apreciado por correntes de países ocidentais, incluindo o nosso. O excepcionalíssimo que o mesmo crê piamente possuir não se compara a tanta exploração de pessoas e de recursos naturais de territórios já tão surrupiados outrora. E, mesmo sendo verdade de que não podemos julgar uma Roma com os olhos de hoje, os E.U.A. permanecem sendo o que é e fazendo o que faz. Nesse caso, podemos criar um julgamento do comportamento destes para com o mundo. O que adoramos! Mesmo nesta conjuntura, ainda é o país que, entre democratas e republicanos, possui um bom modelo de democracia dentre tantos modelos de estados democráticos fadados ao fracasso – como os que não citarei aqui – onde até os defensores de regimes totalitários e/ou fascistas saem às ruas, por incrível que pareça!


Deixando o ranço da política e da conduta de grande parte da população norte-americana, esse artigo trata mesmo da relação ambígua que temos com o que consumimos (e reclamamos enquanto consumimos) do que é oriundo de lá. Como que uma tendência continuada da arte pré-rafaelita, os estadunidenses são educados para o consumo e para o exagero. Um país povoado por imigrantes não tão diferentes dos que vieram ao Brasil, que aprenderam a ganhar a vida com falcatruas, charlatanismo, freakshows, showbiz, muito entretenimento e fantasia – incluindo a do capitalismo.

Da necessidade da construção de uma identidade para um país relativamente novo como o nosso, e, ao mesmo tempo, assimilando esta pela habilidade de se reinventar para sobreviver, esse país é o grande exportador de fast foods, criação de produtos que compramos pra nunca usar, tendências musicais, cinematográficas e midiáticas de modo geral. A maioria disso? Uma só lixeira não dá conta... O fato é que, a produção de tudo isso acontece em massa. Exagero em quantidade e velocidade que nem sempre reflete em substância. O que quero dizer é que, talvez criamos uma expectativa que os E.U.A. estará sempre a nos frustrar, quando os comparamos com o velho mundo. Eles querem ensinar às pessoas como vencer na vida, se dar bem e ganhar muito dinheiro, pois foi assim que se consolidaram. Não tem nem terá haver com um padrão de civilização ou de virtuosidade.


Por mais que nos irritem todos os defeitos deles que nos lembram dos nossos, não resistimos a saturação de bobagens sensoriais que os norte-americanos nos vendem. Somos gerações de Peter Pans espalhadas pelo mundo, a fim de nos satisfazer imediatamente com coisas que não nos acrescentam, e isso não é uma crítica e nem um elogio. Apenas é o que é. Quem ainda acredita que nunca tenha criado vínculo emocional com o que recebemos de lá? Netflix; Cartoons; Instagram; Simpsons; McDonald's; Metallica; Madonna; XVídeos... Enfim, coisas das quais você se orgulha, coisas das quais não. O padrão de vida de baixíssima qualidade, de nenhum bom ócio e da satisfação pela saturação já fez parte da vida de todos que seguem lendo esse texto, e está aí pra quem quiser, ou não! Que fim essa "liquidez" nos levará? Não faço ideia. Mentira, faço sim!



Isabelli Rodrigues

Designer, atua nas áreas de design emocional, processos de criação e de construção, antes mesmo de sua formação.Tem dificuldade em dividir as coisas por áreas.

|@isabelli.tcumg

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