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Na Lupa | Sobre inteligências artificiais


O avanço da tecnologia nos dias atuais parece não ter limites. A cada dia somos surpreendidos com novidades que nos encantam e levam a refletir sobre o que o futuro nos reserva. Muitas dessas especulações acabaram por se transformar em obras de arte, seja na literatura, no cinema ou em graphic novels.

O autor Isaac Asimov foi indubitavelmente quem mais se dedicou ao tema criando clássicos como Eu Robô,O homem bicentenário e vários contos que analisaram situações onde um computador ou androide se tornam cientes de sua própria existência e passam a refletir sobre as motivações de seus atos. A fim de evitar um “complexo de Frankenstein”, onde a criatura se volta contra o criador, ele criou as três leis da robótica, que são:

  • Primeira Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
  • Segunda Lei: Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a Primeira Lei.
  • Terceira Lei: Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.

Apesar de tais comandos fazerem sentido, o próprio escritor e vários outros artistas já demonstraram situações onde os mesmos não impedem que tragédias aconteçam. O raciocínio lógico sempre acaba encontrando brechas nessas diretrizes. Em muitos desses casos, os humanos são vistos como seres imperfeitos e autodestrutivos, que precisam ser protegidos de si mesmos.

É um conceito igualmente fascinante e assustador, pois o confronto físico e psicológico com nossas criações inadvertidamente refletirá nossas contradições e incertezas, o que poderia nos levar a um certo grau de amadurecimento e civilidade, mas muito provavelmente seguirá o caminho contrário, pois a história já demonstrou várias vezes que somos incapazes de admitir nossos erros e crescer com eles.


A sétima arte demonstrou diversas vezes que a consciência das máquinas de qualquer forma irá realçar o melhor e o pior em nós, geralmente ocasionando futuros distópicos como Matrix , Exterminador do Futuro e afins. Por outro lado, películas como O homem bicentenário nos levam a questionar sobre o sentido de nossa essência: o que afinal nos difere de seres autômatos, já que tantas vezes nos comportamos como eles?

O sonho de criar vida inteligente flerta com a aproximação de Deus, o que por si só é igualmente tentador e perigoso, trazendo consequências imprevisíveis e inevitáveis. Essa ilusão narcisista é na verdade uma projeção de nossa própria fragilidade e insignificância. A película Ex Machina expõe essa afirmativa de forma bastante clara. Afinal, se já somos reféns de aparelhos eletrônicos agora, o que esperar quando os mesmos adquirirem raciocínio próprio?


Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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