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Na Lupa l Suspense e mistério em Um corpo que cai


Alfred Hitchcock pertence àquele seleto grupo de cineastas que permanecem impressionando o público através dos tempos. Sua alcunha de “mestre do suspense” é facilmente reconhecida através de sua montagem bastante peculiar e intrigante que prende a atenção do espectador até o último take.

Seu estilo bastante pessoal de contar histórias rendeu clássicos memoráveis e sequências que são referência até hoje para todos aqueles que anseiam por cinema de fina qualidade.

A narrativa desta película segue a jornada de John 'Scottie' Ferguson, um policial que abandonou o serviço pois começou a ter crises de vertigem depois que seu companheiro caiu de um telhado tentando socorrê-lo durante uma perseguição.


Sua rotina muda quando ele é contratado por um amigo para vigiar sua esposa, acreditando que a mesma está sendo possuída pelo fantasma de sua bisavó, que enlouqueceu e cometeu suicídio quando tinha a mesma idade que a moça.

Descrente a princípio, por razões óbvias, o protagonista vai gradativamente percebendo que o estranho comportamento da mulher justifica a preocupação de seu marido e em certos aspectos até comprova a teoria do mesmo.

A genial direção do diretor inglês mantém o público tão intrigado quanto o investigador, fornecendo poucas pistas e sugerindo inúmeras interpretações. A misteriosa mulher em questão diz sua primeira fala após 45 minutos de filme, o que só aumenta o mistério a seu respeito.

A trama torna-se mais complexa quando John se envolve com a enigmática moça, dando início a um triângulo amoroso, tendo em vista que sua amiga Midge, secretamente apaixonada por ele está receosa a respeito dos rumos da investigação.


Além do brilhante roteiro, a parte técnica é invejável, com destaque para a trilha sonora de Bernard Herrman, que traduz a essência de cada momento de forma ímpar. O trabalho expressionista com as cores usadas, explorando a agonia psicológica do protagonista reflete a excelência deste clássico da sétima arte.

O elenco traz as ótimas performances de James Stewart e Kim Novak, entre outros nesse thriller policial que traz ainda a trajetória de um homem em busca da superação de seu problema, que segundo seu médico só acontecerá quando ele sofrer um violento choque emocional.

A variedade de angulações produz uma sedutora atmosfera de incerteza, onde tudo é possível e nada pode ser previsto. Cada instante traz consigo uma nova informação e ao mesmo tempo uma dúvida sobre o que aconteceu. Aí reside o talento único de um cineasta que conseguiu ilustrar a tensão de forma ímpar.


Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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