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Na Lupa | O cinema político de Costa-Gavras em Z

O cinema político é um gênero que conheceu seu período áureo entre os anos 1960 e 1970. Realizadores de várias partes do globo como Glauber Rocha (Brasil), Fernando Solanas (Argentina) e Ettore Scola (Itália), entre outros denunciaram as mazelas da sociedade de seu país e procuraram ecoar pelo mundo os sonhos embutidos nos grandes movimentos políticos internacionais daquelas décadas.


Neste movimento é impossível não mencionar o cineasta franco-grego Constantin Gavras, mais conhecido como Costa-Gavras, famoso por expor as estratégias de poder armadas por militares com o apoio da direita na Grécia e na América Latina durante este período.

A narrativa da sua obra máxima deste gênero acompanha a investigação do assassinato de um famoso político de oposição na Grécia após um comício onde ele criticou a intervenção americana na política nacional.

Os altos escalões do poder insistem em afirmar que foi um incidente isolado, caso contrário seu principal adversário será considerado um mártir pelas massas. Buscam a todo custo abafar o ocorrido, intimidando e agredindo possíveis testemunhas que contradigam a sua versão dos fatos.

A montagem deste genial diretor retrata os variados pontos de vista de todos os envolvidos no crime e suas diferentes motivações. Os militares e suas milícias não-oficializadas reprimem com truculência para evitar uma evolução do inquérito sem alarmar a população já eufórica com a brutalidade do fato.


A agressão da elite aos inconformados é facilitada pela conivência da polícia, que mantém distância das agressões aos manifestantes e só age para proteger os interesses dos detentores do poder.

A direita política acredita estar “pulverizando” a população da “doença ideológica” _ o comunismo. Vale comentar que os políticos de esquerda e seus simpatizantes pacifistas em nenhum momento afirmam que estão pregando a teoria de Marx. Sua visão do contexto é mais esclarecida do que alardeiam os militares, que insistem em apontá-los como ameaça para justificar sua postura.

O medo age como ferramenta de coerção para manter as aparências e não chamar a atenção da imprensa que insiste em continuar investigando junto com o juiz responsável que não teme ameaças. As agressões sempre por trás espelham a covardia de seus atos. A crueldade por trás da cortina.


O cineasta projeta um panorama político local que ilustra as estruturas de poder instauradas em vários países no final da década de 60, inclusive o Brasil que estava sob domínio dos militares.

O elenco traz as excelentes performances de Yves Montand, Irene Papas e Jean-Louis Trintignant entre outros nesta película sobre opressão e controle das massas pelo exército para conservar o modelo capitalista e evitar a “ameaça vermelha” do socialismo.

O título do filme é um antigo signo grego que significa “ele está vivo!” e mostra a força do espírito humano que sobrevive a todas as eventuais adversidades e pesares. A urgência de continuar lutando pela cidadania, mesmo quando tudo parece perdido.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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