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Na Lupa l O preço da ética em Perfume de Mulher

Não há sombra de dúvida que o individualismo é a característica que melhor define a sociedade pós-moderna. Cada um defende os seus próprios interesses e ignora conceitos morais criados para forjar o caráter de um povo, vitais para o amadurecimento ético de uma nação.


Algumas pessoas, entretanto, optam pelo comportamento que não irá afetar terceiros de forma nociva, garantindo desta forma uma consciência tranquila, além de um substancial crescimento psicológico e emocional. O grande dilema ocorre quando as decisões fogem de nosso controle e ameaçam nosso próprio futuro pressionando para cedermos à nossa insegurança, violando nossa integridade para garantir um futuro sócio-econômico.

A narrativa deste filme acompanha Charlie Simms, um estudante de família humilde que frequenta um colégio de elite em Boston graças a uma bolsa de estudos e está precisando de dinheiro para passar o Natal com seus pais em sua cidade de origem. Consegue um emprego temporário para cuidar de Frank Slade, um militar cego aposentado que trata todos com desprezo e amargura, inclusive os familiares que cuidam dele.


Uma noite antes de cumprir este serviço ele presencia um delito junto a um colega de classe. O diretor, vítima e alvo da contravenção, coage as duas testemunhas para que digam o nome dos envolvidos ou serão expulsos da instituição.

O protagonista enfrenta uma encruzilhada moral, pois não se sente à vontade apontando os responsáveis para sair ileso, mas não consegue enxergar uma alternativa.

Enquanto reflete a respeito do dilema em questão, o Tenente Coronel decide levá-lo numa viagem a Nova York, pois ele pretende fazer uma última “turnê de prazeres” que terá fim com o seu suicídio, pois não suporta mais sua solidão e deficiência.

A montagem do cineasta Martin Brest relata de forma sutil a evolução do entrosamento entre Frank e o rapaz. As informações a respeito do passado do militar vão sendo inseridas aos poucos, como peças de um quebra-cabeças que projeta a imagem de sua verdadeira identidade.

Interessante perceber o efeito que a privação do sentido em questão teve na conduta do mesmo, aprimorando seu olfato e audição de tal maneira que estes funcionam como um radar e desta maneira nada passa despercebido por ele.


O diretor insere faz uma leitura da cegueira como metáfora, já que o Tenente Coronel possui uma visão mais amadurecida do comportamento humano (especialmente o universo feminino) do que os outros personagens. Suas ponderações fazem a leitura crítica dos acontecimentos e antecipa a atitude dos outros envolvidos no dilema de Charlie.

Nesse ponto é imperativo mencionar a brilhante performance de Al Pacino que lhe rendeu o Oscar de melhor ator, ilustrando todas as nuances deste personagem tão carismático. Vale também citar o trabalho de Philip Seymour Hoffman e Chris O'Donnell, que revelam desde jovens seu talento natural para a profissão.

Uma projeção inspirada sobre a importância da fidelidade aos princípios, pois são eles que funcionam como bússola para orientar nossas atitudes na complexa conjuntura em que estamos inseridos. 


Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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