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Na Lupa | O curioso e incomum relacionamento amoroso em Secretária

É curioso notar a extensa variedade de formas através da qual o amor se manifesta, expondo traços de nossas fragilidades e inseguranças àqueles que prezamos tanto. Os gestos de afeto são as maneiras mais óbvias, mas existem casos onde a violência e a humilhação são mais eficazes em transmitir este sentimento. A película em questão ilustra a ocasião em que isso acontece.


A narrativa acompanha a insegura Lee Holloway, uma mulher que foi internada em um sanatório em função de sua tendência a auto–mutilação quando enfrenta momentos emocionalmente tensos. Após um breve curso de datilografia ela consegue emprego como secretária do pragmático advogado Edward Grey.

Com o passar do tempo ambos passam a se conhecer e a relação profissional torna-se sado-masoquista. A partir deste ponto o casal de protagonistas inicia um relacionamento onde os desejos mais íntimos são explorados, revelando suas reais identidades e essências.


O diretor Steven Shainberg apresenta a evolução dos sentimentos do casal de maneira gradativa e sutil, como uma dança onde a cada momento um avança e o outro recua.

O amor nasce da real compreensão da natureza do próximo, suas reais necessidades, já que ambos são incrivelmente solitários e esta estranha química faz com que os mesmos confrontem suas realidades. Lee, por exemplo demonstra uma imensa necessidade de carinho do pai alcoólatra, enquanto Edward trata suas subordinadas de forma severa para afastar qualquer forma de intimidade e por isso fica tão intrigado quando Lee não o repele como as anteriores.

À medida que um vai percebendo a real identidade de seu par amoroso, gradualmente penetra em seu subconsciente e toma conhecimento de sua personalidade, o que pode intimidar bastante.

A montagem trata o tema de forma suave e divertida, permitindo que o espectador compreenda que esta estranha troca de carinhos não é uma perversão ou fetiche, mas uma ponte para que o casal possa trocar intimidades. É na submissão ao seu amante e patrão que Lee se fortalece e conquista sua auto-estima, pois encontra alguém que realmente gosta daquela que se esconde por trás da persona social.


O elenco é realmente magnífico e contribui imensamente para a eficiência da película, especialmente Maggie Gyllenhaal, que confere à personagem principal uma doçura ímpar e impedindo que a mesma seja caracterizada como uma mulher doente ou perturbada, quando na verdade ela é apenas uma mulher solitária que deseja ser compreendida. Seu namorado é gentil e atencioso, mas não percebe seus verdadeiros desejos. James Spader também interpreta com excelência um Mr.Grey distante e enigmático que se isola de todos_ especialmente dele mesmo.

Uma história de amor insólita que traduz a real natureza do sentimento: estranho, impulsivo, inexplicável, mas que nos revigora e traduz nossa real essência.


Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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