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Na Lupa I O desejo pela liberdade em Papillon

 A sobrevivência do espírito humano diante de adversidades tem sido um tema recorrente na sétima arte, pois é sempre inspirador constatar a força de um sonho e a sua realização deste, contrariando qualquer possibilidade lógica ou probabilidade.

A vitória do emotivo sobre o racional revela-se ainda mais interessante quando baseada em um fato verídico.Tais histórias nos dão a esperança de que o impossível pode acontecer se houver dedicação para o esforço necessário.

A narrativa deste filme é adaptada do romance homônimo de Henri Charriere, prisioneiro que conseguiu escapar da Ilha do Diabo, colônia penal próxima ao presídio localizado na floresta impenetrável da Guiana Francesa em 1930, acusado de matar um gigolô e condenado à prisão perpétua. No cárcere ele conhece Louis Dega, um falsário que possui dinheiro suficiente para bancar uma fuga e aceita financiá-la em troca de proteção.


A montagem do diretor Franklin J. Schaffner é cuidadosa ao retratar a natureza do antro onde os detentos ficam confinados. Um local onde praticamente todos são corruptíveis e indiferentes ao sofrimento dos encarcerados, sendo alguns deles forçados a trabalhar no pântano que cerca a instituição, habitado por jacarés e serpentes.

A distância de qualquer jurisdição reflete a natureza dessa instituição, onde as leis são seguidas de acordo com os interesses do administrador. Cumprir a pena em tal lugar chega a ser tão desesperador que muitos optam pelo suicídio para encerrar sua punição de forma rápida.

É claro que nem todas as chances do protagonista escapar terminam bem sucedidas e como punição é ele termina sendo enviado para a solitária (uma das sequências mais impactantes da projeção), cujo propósito é desestruturá-lo física e mentalmente.

Vale apontar também a disparidade de perspectivas apresentadas pelos dois prisioneiros. Enquanto Louis é mais resignado e almeja simplesmente uma posição segura e confortável no recinto, o outro não aceita sua sentença e busca a liberdade a qualquer custo, sem precisar o risco de suas tentativas.

A trajetória de um homem que precisou de muita perseverança para evitar sua sina, se esforçando para manter sua sanidade enquanto joga de acordo com as regras da região, muitas vezes sendo forçado a improvisar para lidar com as eventuais contingências que surgem.


No tangente ao elenco a película apresenta as excelentes performances de Steve McQueen e Dustin Hoffman, dentre outros.

A determinação do personagem que leva o apelido do título em função de uma borboleta tatuada no peito (nome do inseto em francês) espelha a pulsão natural de resistir à coerção imposta por um sistema que não respeita suas próprias leis.

Uma curiosidade: o livro deste ilustre fugitivo escandalizou a França e fez com que o governo daquele país parasse de enviar prisioneiros para a colônia, culminando com o fechamento do presídio em 1953.

Uma projeção sobre a necessidade de estar sempre visualizando o futuro para não perder o valor dos nossos objetivos, bem como a razão de concretizá-los.




Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

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