Ads Top

Na Lupa | Muito a dizer sobre nada em Seinfeld

Desde a sua primeira exibição, no dia 05 de julho de 1989, a série criada por Larry David e o comediante Jerry Seinfeld mostrou que veio para quebrar padrões e apresentar uma nova maneira de fazer humor. Ao afirmarem que ela era sobre nada, isso lhes deu liberdade para enfocar os mais diversos assuntos, sendo alguns deles bastante polêmicos.

Os episódios mostravam o cotidiano de quatro amigos trintões de Nova York que tinham preocupações normais, como arrumar um par amoroso, sobreviver aos respectivos empregos e manter um apartamento bacana. Algumas dessas histórias tinham desenlaces bem insólitos, especialmente quando envolviam Cosmo Kramer, o mais esquisito do quarteto.


Seinfeld rompeu com o universo comportado das sitcoms com finais felizes e abriu portas para o politicamente incorreto, servindo como precedente para séries como Friends, The Office, Modern Family, How I Met Your Mother e Will & Grace, tratando abertamente de temas como sexo, masturbação, racismo, anticoncepcionais, adultério, homossexualidade, AIDS, aborto e vários outros temas controversos. Em um dos episódios eles conseguiram inserir um “Papai Noel socialista”, distorcendo um dos maiores ícones do capitalismo.

Além das narrativas bastante originais, onde as aventuras do grupo quase sempre se entrelaçavam, vale acrescentar a inovação na montagem, que chegou a mostrar uma história acontecendo de trás para frente, outra focada na sala de espera de um restaurante chinês (quase teatral) e uma dentro do estacionamento de um shopping center.


Elaine Benes, a personagem interpretada pela talentosa Julia Louis Dreyfus, é a única garota do grupo. Inteligente e autônoma, ela tem romances efêmeros como seus amigos. Não é a típica mulher de sua época, que pensa em casar e ter filhos. Pode acontecer, mas não é algo que ela tenha como um objetivo a ser conquistado. Esse caráter forte e independente foi bastante revolucionário para o período, que tinha padrões bastante conservadores.

Apesar dos exageros, Seinfeld nos brinda com personagens bastante humanos. O resultado final é um espelho bizarro de nossa própria essência: agem quase sempre de acordo com os seus próprios interesses, de ética duvidosa e subservientes ao próprio narcisismo, sofrendo as consequências de suas escolhas e aprendendo muito pouco com elas. São essas imperfeições que nos aproximam deles, porque as reconhecemos e nos identificamos com elas. Essa genialidade durou nove temporadas, continua atual e deixando saudades.

Gilson Pessoa

Escritor e poeta formado em jornalismo pela UFJF. Mineiro nerd, nostálgico e sonhador, apaixonado por literatura e cinema.

|@Gilson106

Tecnologia do Blogger.